Stédile diz que governo Lula é novo inimigo do MST

Líder do movimento também elege transnacionais como inimigas da reforma agrária

Miguel Portela, do Estadão

12 de julho de 2007 | 17h40

O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) disse que o latifúndio deixou de ser o principal inimigo do movimento e elegeu as empresas transacionais e o governo Lula, como principais inimigos na luta pela reforma agrária e mudança do modelo econômico em vigor no Brasil. A declaração foi feita nesta quinta-feira, 12, em discurso a sem-terra, pequenos agricultores e estudantes na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Cascavel, no Paraná."Antes era o latifúndio, agora são as empresas transacionais que exploram as nossas riquezas e levam para fora do país", afirma Stédile. Segundo ele, as empresas que dominam o agronegócio brasileiro enviaram para o exterior cerca de US$ 4 bilhões entre janeiro a junho deste ano, enquanto que a reforma agrária necessitaria de US$ 1 bilhão para ser executada pelo governo brasileiro. De acordo com dados do MST, existem 4 milhões de famílias de sem-terra no País.Para Stédile, a reforma agrária no governo Luiz Inácio Lula da Silva está muito longe da expectativa dos movimentos sociais. "O MST se iludiu com o Lula porque ele não manda nada, vive viajando. Quem manda nesse País são os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Por isso, a reforma agrária não avança", diz o líder sem-terra. Para ele, o Estado brasileiro fez uma "aliança" com o agronegócio e nesse sentido cria leis para protegê-lo. "O Lula fica quieto porque recebeu dinheiro de campanha das empresas transacionais."

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