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Stédile defende o fim do latifúndio improdutivo

O líder do MST, João Pedro Stédile, defendeu, hoje, na CPI Mista da Terra, o fim do latifúndio improdutivo no País e disse que a concentração de terra em mãos de poucos é a essência do conflito de terra no País. Na exposição inicial que fez perante os membros da CPI, Stédile procurou esclarecer declarações feitas por ele na semana passada, numa concentração de sem-terra e pequenos agricultores. Segundo ele, algumas dessas declarações foram "maldosamente manipuladas e utilizadas pelos conservadores do País, para tentar criminalizar o Movimento dos Sem-Terra". Ele admitiu que a expressão "infernizar" foi "infeliz", esclarecendo que ele a utilizou no sentido de pressionar o governo pela reforma agrária, com invasões de propriedades em todo o País. Stédile explicou, também, o sentido da palavra "eliminação", que usou na ocasião. "O sentido de eliminação era o de eliminar a diferença", disse, referindo-se à quantidade de latifúndios existentes no País, de um lado, e a de pobres e sem-terra, de outro. Em apoio a esse argumento, ele apresentou números levantados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 2003, segundo os quais há, no País, 54.781 imóveis classificados como grande propriedade improdutiva e, portanto, passíveis de desapropriação. Isso, segundo Stédile, significa 120,436 milhões de hectares de terra. Ele disse que, na pirâmide social, esse topo representa 1%, enquanto existem, na parte de baixo da pirâmide, 23 milhões de brasileiros "que não são cidadãos porque não têm terra, não têm trabalho e são analfabetos". Stédile afirmou, em sua exposição, que estava explicando aos sem-terra e pequenos agricultores, na palestra da semana passada, essa correlação de forças: de um lado, 23 milhões de pobres e, do outro, 54 mil donos latifúndios improdutivos. O líder dos sem-terra lembrou, ainda, ter ressaltado que a Constituição diz que o latifúndio deve ser eliminado. "Esse era o sentido da palavra eliminar. Evidentemente, todos viram a distorção da declaração. Foi como se eu tivesse declarado uma guerra mundial onde não sobrariam nem mortos nem feridos nesse confronto", disse. A explicação das declarações de Stédile na semana passada era a primeira expectativa dos membros da CPI. Na exposição inicial que fez, o líder do MST disse que o objetivo do MST é combater a pobreza e a desigualdade social. "Não nos conformamos em viver em um país com tanta riqueza e existir tanta pobreza", afirmou. Seguindo o líder, a melhor maneira de combater esses problemas seria lutar pela democratização da terra, eliminando o latifúndio. Ele ressaltou, em alguns momentos de sua exposição inicial, que o preceito constitucional diz que toda grande propriedade que não cumprir sua função social deve ser desapropriada pelo Estado, que deve distribuí-la para gerar trabalho. No entender dele, esse preceito é suficiente para fazer a reforma agrária no País. Stédile localizoou na concentração de terra em mãos de poucos a essência do conflito de terra. "Enquanto se mantiverem 54 mil grandes propriedades improdutivas, vai continuar havendo os 4 milhões de sem-terra. Enquanto existir essa polarização, haverá o conflito", afirmou.

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