Stédile defende "gambiarra" contra racionamento

O coordenador do MST João Pedro Stédile afirmou que os brasileiros não têm que aceitar o corte de energia elétrica. "Os pobres do Brasil não podem pagar a conta de um governo dos ricos. Não corte a luz, e se cortarem sem você saber, faça gambiarra", disse. Stédile criticou o processo de privatização. "Este processo jogou a energia de nossa sociedade unicamente para obtenção de lucro das empresas. Qualquer país desenvolvido sabe que a sociedade tem que ter o controle sobre a energia", disse. Stédile qualificou o governo de ?irresponsável? porque, para ele, está cobrando uma alta taxa de sacrifício da população. E ainda sugeriu: "Junte-se com os seus vizinhos e, na hora que o eletricitário chegar, mande ele embora. É assim que se faz", comentou. Ele defendeu também a revisão da política de privatização do setor energético. "Se esse governo fosse sério, revisaria a privatização do setor", comentou. O coordenador do MST acha que o programa de racionamento "não é democrático". Para ele, a prática "mantém a desigualdade social", porque determina uma taxa de redução diferenciada. Segundo ele, quem consome 1.400 kWh vai poupar 20%, da mesma forma que quem consome 200 kWh. Stédile acha que o justo seria estabelecer uma cota mínima necessária para bem-estar de uma família. "Com isso, o primeiro-genro do imperador Fernando Henrique, em vez de gastar 1.400 kWh com seus três filhos, gastaria a mesma coisa que nós, só 300 kWh. Os outros 1.100 kWh que hoje são destinados aos supérfluos, repassaria para a sociedade".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.