Marcos de Paula/AE - 25/01/2010
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Stedile critica polícia de SP e promete campanha contra Cutrale

Para líder do MST, a ação da Polícia Civil que prendeu nove sem-terra teve motivação 'política'

Sandra Hahn, da Agência Estado,

28 de janeiro de 2010 | 18h43

O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) João Pedro Stedile criticou nesta quinta-feira, 28, a ação da Polícia Civil de São Paulo na prisão de nove pessoas ligadas ao MST, disse que "ocupar terra pública não é crime" e prometeu uma campanha "de denúncia" contra a Cutrale por injustiças que atribuiu às atividades da fabricante de suco. "Vamos mobilizar nossos amigos em todo o mundo", afirmou, dizendo que a campanha começaria no Fórum Social Mundial (FSM), onde participou de seminário.  

 

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"Vamos aproveitar o fórum para denunciar a forma como a Cutrale produz esse suco, que depois ela entrega para a Coca-Cola", declarou, em entrevista após o seminário no FSM. A Operação Laranja, que resultou nas prisões, foi desencadeada pelas investigações para apurar os responsáveis pela invasão da Fazenda Cutrale em Borebi (SP), em outubro. Sete nomes estavam na lista dos mandados de prisão que seriam cumpridos e dois foram detidos por porte ilegal de armas.

Ao ser questionado sobre as prisões, Stedile disse que "ocupar terra pública não é crime, é um dever".

 

Motivação política

O líder do MST acrescentou que "a Polícia Civil de São Paulo está exagerando por motivação política" e considerou que a ação "aproveitou o calendário político", citando que em fevereiro o Congresso volta do recesso e recomeçam os trabalhos da CPI que vai investigar denúncias de irregularidades em convênios entre a União e entidades ligadas ao MST.

Segundo o líder do MST, a área foi ocupada para denunciar "que a Cutrale é invasora de uma terra pública que tem escritura em nome da União".

 

As declarações do líder do movimento vêm após a divulgação de um vídeo pela polícia que mostra membros do MST durante a invasão da fazenda. Nela, um homem diz: "Essa é a quarta ocupação. Agora nós viemos aqui para, pelo menos, dar prejuízo para eles."

 

Segundo a polícia, a fala é de Miguel da Luz Serpa, um dos coordenadores estaduais do MST. Ele foi um dos presos na ação policial.

 

Os sem-terras que invadiram a fazenda da Cutrale, em outubro de 2009, deixaram um total de 7.000 pés de laranja destruídos, de acordo com a empresa. Tratores, móveis e eletrodomésticos foram destruídos.

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