Stédile alerta contra "farsa" em Carajás

Um dos advogados do caso do massacre de Eldorado dos Carajás, Nilo Batista, afirmou, nesta sexta-feira, que, se não for aceita a correição parcial, com pedido de liminar, entregue à Justiça pelo Ministério Público, para que o parecer técnico da Universidade de Campinas (Unicamp) sobre as imagens gravadas pela TV Liberal, seja anexado ao processo, é possível recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) também em caráter de urgência."Queremos garantir mais esclarecimentos para o processo. A chacina não é isso que passou pela televisão, mas sim o que aconteceu 40 minutos depois", comentou.Em abril de 1996, em Eldorado dos Carajás, no Pará, 19 agricultores sem terra foram mortos e 66 pessos ficaram feridas durante o confronto entre trabalhadores rurais e a Polícia Militar do Estado, durante o bloqueio da rodovia PA-150 pelo Movimentos Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Batista diz que considera a decisão tomada pela juíza Eva do Amaral Coelho, que presidirá a retomada do julgamento de 150 PMs envolvidos no massacre no próximo dia 18, de recusar a inclusão do laudo no processo, "um novo caso raro de cerceamento da acusação". Para ele, o indeferimento não tem fundamento. Batista disse que a juíza pode ter cometido "uma confusão conceitual". "Quero apostar que tenha sido alguma coisa puramente no nível do entedimento. Ela (a juíza) pode ter sido induzida por uma expressão usada pelo promotor, que também chamou isso no requerimento dele de perícia", comentou. De acordo com o advogado, perícia é oficial, enquanto o documento entregue é um parecer técnico. O coordenador nacional do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, afirmou, nesta sexta-feira, que, se até quarta-feira, não houver garantias de que o segundo julgamento do massacre de Eldorado de Carajás, marcado para o dia 18, será feito com lisura, os advogados do movimento não comparecerão ao tribunal."Se nós percebermos que há uma farsa montada, vamos orientar politicamente nossos advogados para que não atuem no julgamento e vamos pedir para o Ministério Público também se afastar", afirmou. Segundo Stédile, com isso, a juíza Eva Coelho do Amaral seria obrigada a adiar a audiência. Stédile disse que o MST quer fazer um alerta à sociedade brasileira por conta dos procedimentos que considera incorretos dentro do processo.Ele alertou para o fato de que a juíza compareceu ao lançamento de um livro de contos do capitão da Polícia Militar e deputado, Ivanildo Alves, que atua como advogado de defesa de um grupo de oficiais.Ele disse ter estranhado o formato do novo julgamento, montado pela júíza, resumido em três sessões: a primeira, no dia 18, para julgar os oficiais de patentes maiores; a segundo, no dia 25, com 17 oficiais de menor patente; e a terceira, no dia 2 de julho, para o julgamento de 130 réus. "Acho que isso é inédito, na história do Poder Judiciário, colocar 130 réus em uma mesma sala", ironizou.

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