Flavia Tebaldi/SRB
Flavia Tebaldi/SRB

SRB diz que saída de Moro atrapalha governabilidade e pede serenidade

Presidente da Sociedade Rural Brasileira mostrou apreensão com atual cenário de pandemia e turbulências políticas

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 20h02

A presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Teresa Vendramini, afirmou nesta sexta-feira, 24, que a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça atrapalha a governabilidade e mostrou apreensão com o atual momento vivido pelo País. Ela disse que é preciso haver serenidade das lideranças públicas do País. 

"Acredito que a saída do Sergio Moro, uma pessoa importantíssima, que significa o enfrentamento da corrupção do Brasil, de alguma maneira atrapalha a governabilidade", avaliou a líder da SRB, que é pecuarista e socióloga. "Como presidente da SRB e como cidadã brasileira, estou em suspenso", disse. 

Segundo Vendramini, qualquer turbulência neste momento, em meio a uma crise global de saúde, atrapalha o País. No Brasil, há 52.995 casos e 3.670 mortes registradas decorrentes do novo coronavírus. "Estamos com problemas tão sérios, tantas mortes, que qualquer turbulência é devastadora. A serenidade dos governantes é muito importante para a gente passar por esse momento". 

O ex-juiz da Operação Lava Jato, responsável pela prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixou o governo após um ano e quatro meses com críticas às interferências do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. Moro disse que o presidente buscava obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência da PF. "Não posso concordar. Não tenho como continuar (no ministério) sem condições de trabalho e sem preservar autonomia da PF. O presidente me quer fora do cargo”, disse. 

Repercussão

O deputado Alceu Moreira (MDB-RS), líder da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), também lamentou a saída de Moro. "Suas ações representam a reconstrução do tecido da integridade do Brasil. Sempre foi muito solícito a mim e às demandas da FPA. O país precisa garantir a manutenção e o equilíbrio das instituições, do estado de Direito e da democracia", escreveu no Twitter. 

O presidente do Instituto Brasil 200, Gabriel Kanner afirmou que a saída de Moro é "o começo do fim de Bolsonaro”.  O instituto reúne cerca de 300 empresários em todo o Brasil que apoiaram o presidente Jair Bolsonaro. Kanner afirma que, com as acusações “gravíssimas” de Moro, o apoio fica "completamente abalado". "Não tem como manter apoio a um presidente que vai tão de desencontro aos valores que o elegeram. Ele está fazendo o contrário", afirmou. 

O empresário Luciano Hang, dono da Havan e um dos principais apoiadores do presidente, qualificou a saída como uma grande perda. “Esse não era um momento de perder ninguém. Eu não teria feito isso”, disse Hang, ao ser questionado se o presidente perderia força com a demissão do ministro. "Temos de ver agora os próximos passos." 

Oficiais-generais ouvidos pelo Estado se mostraram “perplexos” e “chocados” com as declarações do ex-juiz da Lava Jato acusando o presidente de interferência na Polícia Federal e fraude.

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