SP terá 2º turno, Rio e BH não, diz Ibope

A 17 dias do primeiro turno das eleições deste ano, as mais recentes pesquisas, divulgadas essa semana pelo Ibope, indicam que, mantida a situação atual, não haverá segundo turno no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte e a segunda etapa do embate em São Paulo será disputada pelos candidatos do PSDB, José Serra, e do PT, a prefeita Marta Suplicy. A confirmação desse quadro é dada pela diretora executiva do Ibope Opinião, Márcia Cavallari. "Não há indícios de que venha a mudar a polarização entre Serra e Marta em São Paulo", diz a dirigente do instituto de pesquisas. Pelo Ibope divulgado na última terça-feira, na luta pela prefeitura de São Paulo, o tucano José Serra tem 36%, a petista Marta Suplicy, 34%, e os ex-prefeitos Paulo Maluf, do PP, 12%, e Luiza Erundina, do PSB, 4%. No Rio, o Ibope divulgado ontem confere 48% da preferência do eleitorado para o prefeito e candidato a reeleição César Maia, do PFL; 14% para o bispo Marcelo Crivella, do PL; 11% para o vice-governador e ex-prefeito Luiz Paulo Conde, do PMDB; e 5%, empatados, para os deputados Jorge Bittar, do PT, e Jandira Feghali, do PC do B. Estabilizado esse quadro Maia (PFL) está reeleito, já no dia 3 de outubro, com 57% dos votos válidos, antecipa Márcia Cavallari. A disputa está definida também em Belo Horizonte, onde o prefeito e candidato a continuar no posto, Fernando Pimentel, do PT, acumula 54%, contra 25% do deputado João Leite, do PSB, e 5% do deputado Roberto Brant, do PFL. Se a correlação de forças se mantiver assim até o próximo dia 3, Pimentel continua prefeito, reeleito no primeiro turno, com bem mais de 50% dos votos válidos, calcula o Ibope. Triângulo das BermudasAs pesquisas e avaliações da diretora do Ibope confirmam opinião de cientistas políticos como Christopher Garman, da Tendências Consultoria Integrada, e Marco Antônio Carvalho Teixeira, da PUC-SP e FGV-SP, para os quais, à exceção da capital paulista, a situação está definida nos outros dois vértices do que os políticos chamam de Triângulo das Bermudas, constituído pelos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os resultados das eleições nestes três Estados têm, tradicional e inevitavelmente, implicações nos embates políticos do País. Dos três saem sempre os grandes nomes nacionais da vida pública brasileira. São Paulo, particularmente, tornou-se uma fortaleza simbólica para o PT e o presidente Lula, e para o maior legenda de oposição no País, o PSDB. Dos dois partidos, o que perder a eleição na capital paulista este ano sai enfraquecido para o embate presidencial de 2006 e o que ganhar, conseqüentemente, sai fortalecido. No tabuleiro desse Triângulo formado por São Paulo, Minas e Rio, e com vistas a esta eleição para o Planalto daqui a dois anos, já se movimentam o prefeito César Maia (PFL), os governadores paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), e mineiro, Aécio Neves (PSDB), os tucanos ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e José Serra, e o candidatíssimo à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Difícil desempate em SP"Hoje os dois, Serra e Marta, ainda têm espaço de crescimento, mas é pouco provável que um desgarre e ganhe no primeiro turno em São Paulo. É difícil até mesmo desempatar, que saiam dessa situação de empate técnico", assinala a diretora do Ibope. Na análise das pesquisas, Cavallari constata que Marta obtém "um crescimento gradual", com 16%, 23%, 30% e 34% respectivamente nas quatro pesquisas Ibope divulgadas de junho até esta semana. Ao mesmo tempo, é descendente a curva de sua rejeição nessas mesmas pesquisas - 41%, 36%, 31% e 29%. "O crescimento mais forte do Serra se deu no primeiro momento" do lançamento de sua candidatura, acentua a dirigente relacionando o desempenho do tucano nas mesmas quatro pesquisas divulgadas pelo Ibope de junho para cá - 30%, 24%, 34% e 36% respectivamente. Nesses levantamentos de opinião pública Serra apresenta "rejeição super baixa", lembra Márcia. "Agora Serra aparentemente estabilizou. Ele não vem apresentando curva constante de crescimento. Marta ao contrário, pode mudar porque boa parcela do eleitorado consultada considera bom o seu governo e está aí o espaço para ela subir", explica a diretora do Ibope. Mesmo que um ou outro dos dois que polarizam a disputa em São Paulo venha a melhorar nas pesquisas, para Márcia, isso não será suficiente para desequilibrar a disputa e para distanciá-los na situação de empate técnico. "O crescimento deles se dá em cima dos votos de Maluf e Erundina e do número de indecisos, brancos e nulos. E todas essas variáveis têm um piso. É muito difícil que Maluf e Erundina caiam ainda mais". Com base nas projeções para o segundo turno, o Ibope constata que a maior parte dos votos de Maluf e Erundina migram para o candidato Serra. "Mas há, também, embora em menor proporção, uma troca de voto entre eles, o que faz com que um ou outro possa crescer". O curioso dessa troca é que, conforme constatou o Ibope, o perfil dos eleitores dos dois é completamente diferente. "Os de Serra são eleitores de mais instrução e renda mais alta, os de Marta, o contrário, havendo apenas uma pequena porcentagem de eleitores entre esses dois limites que embolam esses perfis definidos", informa Márcia. Rio e Belo Horizonte A situação de franco favoritismo dos prefeitos César Maia, no Rio, e Fernando Pimentel, em Belo Horizonte, só tende a se consolidar, o que lhes dá, a 17 dias da eleição, praticamente a certeza de que estão reeleitos já no primeiro turno. "A situação do prefeito César Maia sempre foi estável nas pesquisas. ?Como ele tem uma administração bem avaliada, é mais improvável uma mudança contra ele. Seus índices e a possibilidade de vitória já no dia 3 de outubro só tendem a melhorar", prevê a dirigente do Ibope. Em Belo Horizonte, onde também desponta um franco favorito com larga vantagem, a diferença é que este candidato, o prefeito Fernando Pimentel, esteve no segundo lugar até o início do horário eleitoral gratuito. Nas quatro pesquisas Ibope divulgadas de junho até agora, o candidato do PSB, deputado João Leite alcançou 35%, 35% 46% e 25% respectivamente. Já Pimentel teve 33%, 31%, 30% e 54%. Para o Ibope está claro que a mudança na performance de Pimentel é "reflexo da propaganda gratuita no rádio e na televisão". Confira mais sobre as tendências eleitorais em 26 capitais brasileiras, de acordo com as mais recentes pesquisas dos principais institutos do País, registradas nos tribunais regionais eleitorais (TREs). Para acompanhar os dados do mapa eleitoral, acesso o endereço: http://www.aefinanceiro.com.br/eleicoes2004.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.