Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Manifestação anti-Temer tem repúdio à ação da PM

Manifesto assinado por cerca de 2 mil pessoas sobre operação policial no ato realizado no domingo é lido durante protesto contra o presidente em São Paulo

Gilberto Amendola e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2016 | 18h48

SÃO PAULO - Um manifesto de repúdio à atuação da Polícia Militar no protesto do domingo passado foi lido nesta quinta-feira durante o ato contra o presidente Michel Temer, realizado na zona oeste de São Paulo. A manifestação pacífica partiu às 18 horas do Largo da Batata e foi finalizada às 21 horas nas redondezas da residência do peemedebista, no Alto de Pinheiros. Na estimativa dos organizadores, cerca de 15 mil pessoas participaram da caminhada. 

“O uso desregrado da força em manifestações políticas coloca em risco não apenas a segurança individual das pessoas, mas atinge o cerne do próprio regime democrático”, diz o texto. O manifesto foi assinado por cerca de 2 mil pessoas, entre elas os escritores Milton Hatoum e Raduan Nassar, o crítico literário Antonio Cândido, os músicos Chico César, Arrigo Barnabé e Jards Macalé, a atriz Débora Duboc e cientistas políticos.

O texto afirma que “a eventual presença ou ação de grupos violentos no interior de uma manifestação pacífica não pode se tornar justificativa para ações repressivas, de retaliação e à margem da lei, que atinjam o conjunto dos manifestantes, jornalistas ou mesmo transeuntes”. No domingo, a PM usou bombas de gás lacrimogêneo no fim do ato após um princípio de confusão, segundo o relato oficial, na Estação Faria Lima.

No encerramento do ato nesta quinta-feira, o primeiro a discursar foi o ex-senador Eduardo Suplicy. Ele sugeriu que o governo aproveite as eleições municipais para fazer uma consulta popular. “O povo poderia decidir se quer que Temer termine o mandato ou não”, disse. Lideranças de grupos como o MST e CUT usaram o microfone para pedir “fora, Temer” e “fora, Cunha”. Uma próxima manifestação foi convocada para domingo, às 14 horas, na Avenida Paulista.

Greve. Vagner Freitas, presidente da CUT, defendeu um “esquenta” de greve para o próximo dia 22. “Vamos parar o que der para parar e atrasar o que der para atrasar”, afirmou. Segundo ele, uma greve geral deve ter data definida futuramente,  com apoio da Força Sindical, presidida pelo deputado federal Paulinho da Força (SD).

Durante a caminhada, os manifestantes fizeram críticas às reformas da Previdência e trabalhista. "O que as pessoas estão esperando para se juntar à luta? O fim da CLT, das férias e do décimo terceiro?", bradava a estudante Renata Pacheco, 23 anos. "Nao fui eleitor da Dilma, mas acho até que o impeachment foi uma rasteira na Constituição. Não estou aqui por ela. Estou aqui pela democracia. Eleições 'Diretas-Já'", disse o publicitário Felipe Damasceno, 33 anos.

O deputado federal e candidato a vice-prefeito Ivan Valente (PSOL) disse que a possibilidade de mudanças nas leis trabalhistas tem "injetado ânimo e força às manifestações". Para ele, a mobilização quase que diária pode até "arrefecer um dia ou outro, mas no todo a revolta popular estaria crescendo".  Os manifestantes carregam faixas de "Liberdade e Luta", "Nenhum direito a Menos" e "Mulheres Sem Temer".

A aposentada e ex-presa política Josefa Laurindo Roriz Silva, 76 anos, avisou que ela é "representante das idosas que teimosamente insistem em permanecer nas ruas". "Lugar do povo é na praça e vou ficar alerta até o Temer cair", disse à reportagem.

Com 23 anos, Naiara do Rosário, que milita no coletivo de educação Emancipa, diz que está na rua porque " o atual governo está atacando a educação e quer implementar a bobagem que é a Escola Sem Partido".

Atos. Este é o quarto ato contra Temer em menos de uma semana na capital paulista. Na quarta-feira, 7, organizadores calcularam cerca de 15 mil pessoas entre militantes de partidos, movimentos sociais, mulheres, jovens e famílias em uma caminhada da região da Avenida Paulista ao Parque Ibirapuera, no período da manhã. À tarde, cerca de 10 mil pessoas, segundo o coletivo Liberdade e Luta, foram da Praça da Sé à Paulista e em seguida à Praça da República, na região central, em um ato pacífico. A PM não informou o número de manifestantes em nenhuma das duas manifestações.

No domingo, 4, aproximadamente 100 mil pessoas foram à Paulista se manifestar contra o governo Temer, segundo as frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular. A caminhada, que começou por volta das 18h, terminou em tensão no Largo da Batata, quando houve empurra-empurra no acesso à estação do metrô. Bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo foram lançadas pela PM para dispersar os manifestantes. 

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