SP não terá novas privatizações em 2001

O governo paulista não pretende fazer nenhuma privatização este ano, assegura o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Em entrevista exclusiva à Agência Estado, em que faz um balanço dos seis meses de seu governo, Alckmin diz também que a venda da geradora Cesp Paraná poderá ser revista, não vindo a ocorrer durante seu mandato. "Enquanto esse quadro energético não se clarear, não vamos fazer a privatização da Cesp Paraná", afirma. Marcado para dezembro de 2000, o leilão da companhia acabou não acontecendo por força de uma liminar e, em seguida, foi suspenso em meio às informações de que não havia mais interessados na compra do ativo, cujo preço mínimo era de R$ 1,7 bilhão. "Fui eu que suspendi o leilão", sustenta o governador. "A privatização vai depender muito do que acontecer daqui para a frente, o quadro na área de energia está totalmente indefinido", acrescenta.O governador destaca ainda que não conta com os recursos da venda de outros ativos - ações da Nossa Caixa e da Sabesp - em 2001. "Nós vamos fechar este ano com um grande esforço para manter o déficit público zero e superávit primário 20% maior do que ano passado, sem vender um ativo. Não estamos contando com nada disso. Não pretendo fazer nenhuma privatização este ano, nenhuma", reitera.De acordo com preços de mercado, a venda do controle da Cesp Paraná e de ações de Nossa Caixa e Sabesp renderia cerca de R$ 3,3 bilhões. Se levada a leilão, Cesp Paraná deve manter o preço fixado, R$ 1,739 bilhão. No caso da Sabesp, estuda-se fazer a oferta de até 22% do total de ações em poder do governo, com uma previsão de arrecadação em torno de R$ 900 milhões. A operação deve ser feita na bolsa de Nova York (NYSE) e na Bovespa."O governo ainda manterá 66% da ações da Sabesp e, com dois terços das ações, terá o controle da empresa", afirma Alckmin. A Nossa Caixa, em processo de reestruturação, com abertura de capital para permitir a venda de 49% das ações, além da criação de sete subsidiárias, também permanecerá estatal. "No ano que vem o governo poderá vender o excedente dos 51%", afirma o governador. O negócio pode render até R$ 700 milhões.Alckmin elogia o modelo de criação de subsidiárias da Nossa Caixa, estas com a inversão de controle acionário: o capital privado terá 51% das ações, ante 49% da Nossa Caixa. "A questão dos bancos hoje é muito rápida, se reorganizam rapidamente, e a Nossa Caixa tem que se preparar para ser um dos grandes bancos do Brasil. Tenho grande entusiasmo por esse modelo, mantém a ´mãe´ estatal e faz a venda pulverizada."Na avaliação do governador, grande parte do programa de privatização paulista foi cumprido, principalmente na área de infra-estrutura (transportes e energia). Ele rebate as críticas feitas do presidenciável do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que acenou com a reestatização. "As grandes geradoras, como Cesp Paraná, Furnas, Cemig, Itaipu, são estatais. Não sei como distribuidoras, que foram privatizadas, podem gerar energia", argumenta.Juro e estabilidadeAlckmin também advertiu, na entrevista à Agência Estado, que a estabilidade de preços não pode ser um fim em si, e defendeu a redução dos juros. "Se não agirmos rapidamente em relação à taxa de juros, vamos caminhar para um quadro recessivo e aí, demora para ocorrer a reativação da economia", argumentou. No entanto, ele ponderou que a estabilidade é uma conquista histórica, que deve ser preservada. "Minha geração não sabia o que era moeda estável. Foi um salto de qualidade fantástico", disse.Para Alckmin, da mesma forma como é capaz de tomar medidas drásticas, na crise, para preservar o interesse coletivo, depois o governo deve agir com rapidez no sentido de fazer um ajuste fino, corrigindo rumos. "Não sei até que ponto os termos ´liberal´ ou ´intervencionista´ são verdadeiros. Há princípios que devem ser seguidos e há circunstâncias em que é preciso agir e agir rápido. As coisas não têm esse dogma", diz.O governador não tem nenhuma restrição em relação ao novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que garantiu um aporte de recurso externo, desde que o País mantenha "pressupostos econômicos sólidos". Mas acha discutível a proposta de independência do Banco Central (BC). "Isso precisa ser melhor estudado. Tem um lado positivo, mas acho que o governo nunca deve perder a capacidade de gestão."

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