SP não tem condições de acabar com crime organizado, diz secretário

As organizações criminosas que atuam no interior dospresídios de São Paulo são uma extensão do crime organizado que se capilariza pelo país e o Estado já nãotem condições de extingui-las. "O máximo que podemos fazer é tentar mantê -las sob controle", admitiu hoje o secretário de Administração Penitenciária do Estado, Nakashi Furokawa, durante o I Fórum Nacionalde Debates Sobre o Sistema Prisional Adequado para o Brasil, promovido pela Associação dos AdvogadosCriminalistas de São Paulo (Acrimesp). O grupo de juristas, desembargadores e criminalistas reunidos no encontro alertou para o atraso com que oEstado brasileiro descobriu a extensão do crime organizado. "Em fevereiro, com a explosão das rebeliõesem 29 presídios paulistas, acordamos para as ramificações do crime organizado no interior dos presídios,mas elas são apenas extensões do crime organizado que atua nas ruas", afirmou o Antônio Cláudio Mariz deOliveira, da Comissão de Especialistas da Ordem dos Advogados do Brasil seção São Paulo (OAB-SP).Para Furokawa, o preso que está organizado fora das cadeias continua organizado dentro delas. "Enquantonão houver combate efetivo ao crime organizado no país, não há como acabar com as organizações nointerior dos presídios", reconheceu ele. "Há pouco tempo tomamos conhecimento e há muito pouco tempo tomamos consciência da extensão docrime organizado no país", afirmou Mariz. Para ele, as organizações criminosas criaram um novo perfil decriminalidade e o Estado e o sistema Judiciário não acompanharam as transformações. "Não háinvestigação séria, nem dentro nem fora dos presídios; não há nenhum plano de combate organizado aocrime organizado no Brasil", advertiu ele. Nas mãos do crime O desembargador Marcelo Fortes Barbosa atribuiu ao que ele chamou de "molecagemlegislativa" a incapacidade do sistema jurídico brasileiro de lidar com o crime organizado. "Acabamos com oconceito de periculosidade no Código Penal e permitimos que se trate com os mesmos critérios o presoque roubou uma carteira no trânsito e o traficante de drogas", comparou ele. Barbosa lembrou que todos os presídios de segurança máxima de São Paulo abrigam população bemabaixo de sua capacidade. "Nestas penitenciárias, como Taubaté e Bragança Paulista, não há superlotação.Os presos do crime organizado, que deveriam estar ali, utilizam seu poder de corromper autoridades para semanterem em presídios de segurança média", afirmou. Para Barbosa, as autoridades tem se recusado a aceitar que as organizações de presos são um braço docrime organizado. "As autoridades dizem que esta não é a criminalidade principal e ignoram que os PCCsestão vinculados ao tráfico de drogas e armas e ao roubo de cargas", disse ele, referindo-se ao PrimeiroComando da Capital (PCC), organização responsável pelo levante de fevereiro nos presídios paulistas.

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