SP é o maior desafio da estatal

Cemig tentou comprar a Cesp, mas leilão foi cancelado

Eduardo Kattah e Ivana Moreira, BELO HORIZONTE, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2009 | 00h00

Ir além das fronteiras de Minas. O objetivo traçado para a Companhia Energética de Minas (Cemig) foi anunciado logo no início do governo de Aécio Neves (PSDB), em 2003. O governador manteve na presidência o engenheiro Djalma Morais, mas entregou ao novo presidente do Conselho de Administração, o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Wilson Brumer, a missão de transformar a empresa numa companhia moderna, reconhecida nacionalmente. Apenas um ano depois de anunciar que estudaria oportunidades de negócios fora de Minas, a estatal anunciou sua primeira aquisição, a usina Rosal Energia, no Espírito Santo. Era apenas um pequeno primeiro negócio, por R$ 134 milhões.Em 2006, a empresa fechou uma das compras de maior repercussão: a participação no controle da Light, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, adquiriu parte da Schain em cinco empresas de transmissão, quatro na Região Norte e uma em Santa Catarina.O apetite ficou maior neste ano. Pouco depois de comprar três centrais eólicas no Norte, a empresa anunciou a aquisição de 65,86% dos ativos da italiana Terna no Brasil, o que representa mais de 3, 3 mil quilômetros de linhas de transmissão em 11 Estados. Um negócio que custará mais de R$ 2,3 bilhões.Atualmente a Cemig negocia um acordo que prevê sua participação acionária ou administrativa na Companhia Energética de Brasília (CEB), o que levou Aécio a se reunir com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM). A empresa foi apontada recentemente como uma das interessadas nos ativos da espanhola Endesa no Brasil - que controla a distribuidora Ampla, no Rio de Janeiro, e a Coelce, do Ceará. Também manifestou interesse em participar do leilão - que acabou frustrado - de privatização da Companhia Energética Paulista (Cesp). "É um negócio extremamente complexo e há uma vedação, pelo menos a priori, da compra por empresa de controle estatal, em relação à Cesp", reconheceu Aécio. Mas o governo ainda não desistiu.Técnicos da companhia continuam estudando o assunto. Colocar os pés em São Paulo é de fato um negócio interessante para a Cemig. E, mais ainda, para Aécio Neves.

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