Souza resistiu a 17 ataques cardíacos

Fama de duro na queda marcou carreira de procurador no Ministério Público

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2030 | 00h00

Brasília - Por 17 vezes, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, de 59 anos, enfrentou e venceu a morte. Há cinco anos, pesando 110 quilos, Souza sofreu 17 paradas cardíacas. Ele estava dentro de uma ambulância, que o transportava de Antonina, no interior do Paraná , até Curitiba. Ali, durante as duas horas em que permaneceu no interior do veículo, foi reanimado com eletrochoques e quase dado como morto. Submetido a cirurgias de emergência, já em um hospital de Curitiba, acabou sobrevivendo.  Leia a denúncia do procuradorA partir daí, Souza ganhou fama de homem forte e duro na queda. O problema é que nada nele lembra a força de um invencível. Cearense de nascimento e criado no Paraná desde os 2 anos, o procurador perdeu peso e hoje exibe uma silhueta franzina. Sua é voz é suave, baixa, com tons agudos que não sugerem arrogância ou empáfia.Ele prefere o vocabulário técnico do direito a expressões como "mensalão" ou "mensaleiro". Abomina os radicalismos e detesta os fanatismos. "Não sou fanático", adverte ele, lembrando que o seu enfoque é técnico, profissional.Para Souza, um procurador precisa entender o limite de seu próprio poder, sem perder a ousadia no momento de investigar os suspeitos.É do tipo que não costuma reclamar de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) nem mesmo na intimidade. Ainda assim, o chefe do Ministério Público tem sido efetivo no combate à corrupção e à impunidade, na avaliação dos observadores de sua atuação.Nos trabalhos mais extensos, Souza conta com o auxílio de um grupo de procuradores de confiança. O estilo discreto vem se tornando um modelo para os novatos. Divulgações sobre investigações em andamento são cada vez mais raras.Pai de três filhos, todos acima de 20 anos, é um católico praticante. Freqüenta a igreja de Santo Antônio todo domingo. Ele é também um assíduo freqüentador do restaurante Intervalo de Brasília, onde costuma almoçar e trocar idéias com uma confraria Tuiuiú, que tem como símbolo um jaburu e reúne os mais destacados procuradores federais.Mesmo com os amigos da confraria, Souza não foge da dieta: "Ele só come o badejo", afirma a dona do restaurante. Essa disciplina ajudou Souza a preparar a denúncia contra a "quadrilha do mensalão".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.