Souza pediu quebra de sigilo no caso Paulinho

Ayres Britto será relator do inquérito no STF e decidirá se autoriza diligência

Felipe Recondo, O Estadao de S.Paulo

03 de junho de 2008 | 00h00

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, indicou ontem que já pediu a quebra de sigilo bancário e fiscal de envolvidos no caso de desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), descoberto pela Operação Santa Tereza da Polícia Federal. O inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que vai investigar a suposta participação do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, no esquema será relatado pelo ministro Carlos Ayres Britto. O relator decidirá se autoriza ou não eventuais pedidos de diligências no caso. O deputado, adiantaram seus advogados, já protocolou na Procuradoria-Geral da República um ofício com a autorização formal para que seus sigilos bancário, fiscal e telefônico sejam quebrados.Investigadores disseram que essas informações podem não ajudar na apuração. Dizem que Paulinho não depositaria na própria conta o dinheiro que teria recebido do esquema, mas sim na conta de familiares, assessores ou laranjas e, provavelmente, na rede de organizações não-governamentais (ONGs) que seriam usadas pelo suposto esquema. De acordo com a Polícia Federal, Paulinho teria recebido um cheque de R$ 18.397,50, valor que corresponderia ao primeiro desembolso do banco para a Prefeitura de Praia Grande (SP), e uma ordem de pagamento de R$ 82.162,93, referente a empréstimo concedido às Lojas Marisa. A PF identificou ainda que a ONG presidida pela mulher de Paulinho, Elza, recebeu R$ 1,199 milhão do BNDES em operação não-reembolsável. Esse repasse foi feito quando o lobista João Pedro Moura, amigo de Paulinho, integrava o conselho de administração do banco.Se o Ministério Público confirmar as suspeitas de que Paulinho se beneficiou, poderá denunciá-lo ao Supremo e pedir que uma ação penal seja aberta contra o deputado. Para isso, a maioria dos ministros do STF precisa concordar com o pedido.O deputado nega participação no esquema. Já atribui as denúncias a "implacável" perseguição política. "Minha vida sempre foi pautada pela transparência, pela ética e pela defesa dos trabalhadores", disse, em nota, na semana passada.

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