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‘Sou um velhinho high tech’, diz senador de 83 anos; saiba como foi a 1ª votação virtual no Senado

Em votação remota por causa do coronavírus, parlamentares aprovam decreto de calamidade

Daniel Weterman e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2020 | 14h39
Atualizado 20 de março de 2020 | 20h11

BRASÍLIA – “Bom dia, senador (Antonio) Anastasia (PSD-MG), eu estou parada na estrada à beira de um posto de gasolina, indo de Brasília para Palmas de carro pra evitar o contágio”, anunciou a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) ao conectar seu celular na primeira sessão virtual nos 196 anos de história do Senado. A votação online, na manhã desta sexta-feira, 20, discutia o decreto que institui situação de calamidade pública no Brasil.

Lado a lado na tela da transmissão da TV Senado, parlamentares se revezavam nos discursos. Em vez da tribuna, cada senador estava em frente a um computador ou usando seu celular. Fisicamente no Senado, apenas Anastasia, que assumiu a presidência da Casa após Davi Alcolumbre (DEM-AP) ser diagnosticado com coronavírus, e o relator do projeto, Weverton Rocha (PDT-MA).

“O senhor está me ouvindo, presidente?”, foi a pergunta mais ouvida por Anastasia. “Perfeitamente, senador”, respondia o mineiro, na sala montada pela Secretaria de Tecnologia da Informação (Prodasen), com um telão que exibia a imagem de cada senador. Logo no início, o presidente da sessão tentou organizar a votação citando etiqueta em tempos de reuniões virtuais. “Quem não estiver falando, por favor, feche o microfone”, orientou.

Outro contaminado, o senador Prisco Bezerra (PDT-CE), suplente de Cid Gomes (PDT-CE), fez questão de votar à distância. Por precaução, a senadora Maria do Carmo (DEM-SE), mesmo de casa, usava máscara cirúrgica. Com 83 anos, Arolde Oliveira (PSD-RJ) foi o primeiro a registrar seu sim ao decreto. “Eu sou um velhinho high tech”, disse o senador ao Estadão/Broadcast. Ele está em casa, em isolamento, no Rio. O parlamentar faz parte do grupo de risco da doença.

Alguns senadores, como Esperidião Amin (PP-SC) e Confúcio Moura (MDB-RO), não abriram mão do terno e gravata. Daniella Ribeiro (PP-PB) fez questão de usar maquiagem.

Enquanto uns usavam o traje social completo, Paulo Rocha (PT-BA) optou pelo chapéu. Foi elogiado pelo presidente da sessão. “Bem elegante o chapéu”, observou Anastasia.

Flávio Bolsonaro some na instantes por instantes: ‘Entrou uma ligação’

Na hora de votar, Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) sumiu na imagem por instantes. “Entrou uma ligação aqui no meio, na hora”, justificou. Filho de Kátia Abreu, o senador Irajá (PSD-TO) votou usando uma fotografia do plenário do Senado no fundo. O senador mais idoso, José Maranhão (MDB-PB), 86 anos, também falou de casa, após não conseguir conexão no início da sessão remota.

Em declaração para o Estadão/Broadcast, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) disse que a ideia é usar o sistema enquanto houver risco de transmissão da doença. “O sistema é extremamente seguro, mas eu gostaria de tranquilizar a população, a votação é somente para projetos de calamidade pública, não serve para outra coisa. O que significa que além dessa ferramenta, o Congresso Nacional terá votações normais assim que o resultado de todos os exames dos senadores derem negativo”, disse.

A inovação tecnológica também foi usada para as entrevistas. A assessoria do Senado abriu um canal no WhatsApp para receber perguntas dos jornalistas na coletiva marcada para depois da sessão.

No fim da primeira sessão virtual da história do Senado, o decreto de calamidade foi aprovado por 75 a 0, sem polêmicas habituais da Casa, onde as desavenças políticas já resultaram até em morte no plenário.

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