Dida Sampaio/Estadão
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‘Sou o único independente de verdade’

Entrevista com Júlio Delgado, candidato do PSB à presidência da Câmara

João Domingos, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2015 | 18h29

Líder do PSB na Câmara, o deputado Júlio Delgado (MG) anuncia-se como o único independente na disputa pela presidência, visto que os adversários pertencem aos governistas PT e PMDB. Ele afirma que não fará um “terceiro turno” da eleição caso seja eleito presidente e que terá um relacionamento institucional com a presidente Dilma Rousseff. Delgado chegou a ser chamado de “exterminador de petistas” em razão de sua atuação no Conselho de Ética da Casa, sempre pedindo a cassação de deputados do PT citados em esquemas de corrupção, como o caso do mensalão.

Como o senhor vê a ideia da oposição de fazer uma nova CPI para investigar a Petrobrás? 

Uma nova CPI vai ter de acontecer. Até porque há muitos fatos novos em relação ao ano passado e outros que certamente vão surgir e vão atingir até o Parlamento. 

O senhor é um candidato contrário ao governo? 

Não. Sou independente, verdadeiramente independente. Existem os aliados e os pseudoaliados, que ficam falando que são independentes. Eu não. Sou independente. O único que efetivamente não tem indicação de ninguém para cargo no governo sou eu. Por isso, tenho liberdade para ficar à vontade para fazer uma pauta exclusivamente do Legislativo e elevar a estatura do nosso poder. 

Como o senhor trataria um eventual pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff? 

Eu não farei terceiro turno das eleições na Câmara. A disputa já acabou e a presidente Dilma venceu. Tratarei o Poder Executivo dentro da institucionalidade. 

O que o senhor se propõe a oferecer aos deputados? Gabinetes maiores? 

Não proponho nada disso que os outros têm proposto. Até porque os últimos quatro presidentes falaram de construção de anexo, de gabinetes novos. Se você quer fazer diferente, tem de propor algo que parta dos deputados. A única coisa concreta que eu fiz foi uma sugestão de criar um colégio de presidentes das comissões permanentes, para que eles possam estabelecer com seus partidos, com seus líderes e bancadas nos Estados pautas que sejam de iniciativa do Poder Legislativo. A gente não pode mais deixar o parlamentar frustrado ao final de um mandato, sem ter uma matéria de sua autoria sendo votada pelo plenário da Casa. 

Como o senhor tratará eventuais pedidos de cassação de mandato de parlamentares envolvidos em processos de corrupção? 

De forma institucional, como deve ser. Mas vou procurar dar mais poder ao Conselho de Ética, que hoje não pode fazer convocações, apenas convites. 

O senhor vai trabalhar para aprovar a emenda constitucional do orçamento impositivo? 

É importante que ela seja aprovada. A gente tem que votar um projeto que torne o contingenciamento das emendas proporcional àquilo que o governo anuncia que vai cortar. E o que estiver dentro dessas condições terá efetivamente de ser pago. Não adianta só aprovar o orçamento impositivo sem fazer o controle sobre o contingenciamento da proposta orçamentária.

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