''Sou inocente'', diz Tosto após depor

Advogado falou ontem à Justiça por uma hora e meia

Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

31 de maio de 2008 | 00h00

"Sou inocente e tive a oportunidade de provar isso", disse ontem o advogado e ex-conselheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ricardo Tosto, réu da Operação Santa Tereza.Tosto depôs por cerca de uma hora e meia na 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Ele é acusado de facilitar e se beneficiar da liberação de empréstimos do banco estatal.Seu advogado, José Roberto Batochio, afirmou que "usaram indevidamente o nome de Tosto com o objetivo de aferirem mais indenização pelos trabalhos de consultoria prestados". Batochio se referia a serviço da Progus Consultoria, do empresário Marcos Mantovani, também acusado.A Progus prestou consultoria para financiamentos do BNDES à Prefeitura de Praia Grande (SP) e às Lojas Marisa. Os dois contratos estão sob investigação, mas não há suspeitas csobre diretores da Marisa.Batochio afirmou que Tosto, em seu depoimento ao juiz Marcio Catapani, disse que "não sabe nada a respeito desses financiamentos". "Ele não conhece o prefeito de Praia Grande (Alberto Mourão, do PSDB), não conhece ninguém da Marisa, mas conhece Mantovani por ter prestado serviços jurídicos à Progus", declarou Batochio.O advogado reafirmou que o Conselho de Administração do BNDES não avaliza empréstimos. Criticou o que denomina de "grampolândia". "Meu cliente foi estuprado em sua imagem." Batochio negou cheques da Progus para Tosto. "É por isso que seu sigilo está aberto." Para ele, a sigla RT que aparece em canhotos apreendidos na Progus pode se referir a qualquer pessoa. "Pode ser qualquer um, Ricardo Teixeira, por exemplo."Ainda ontem, o juiz Catapani mandou soltar o empresário José Carlos Guerreiro, réu na mesma ação. Guerreiro depôs segunda-feira e explicou ponto a ponto o contrato de sua empresa, a Termaq, com a Prefeitura de Praia Grande. Seu advogado, o criminalista Roberto Podval, pediu ao juiz reconsideração da ordem de prisão. Podval exibiu documentos da empresa de Guerreiro que comprovam a existência da obra de saneamento no litoral e que a Termaq mantém atividade lícita, empregando cerca de 500 pessoas.

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