''Sou indiciado, mas não tenho nada a ver com isso''

José Maranhão: governador da Paraíba; Peemedebista diz que casos não têm fundamento nem provas e chama antecessor de irresponsável

Entrevista com

Ricardo Brandt, JOÃO PESSOA, O Estadao de S.Paulo

20 de fevereiro de 2009 | 00h00

O governador José Maranhão (PMDB) diz que não quer ser revanchista, mas não poupa palavras para criticar o antecessor, Cassio Cunha Lima, a quem chamou de irresponsável ao exonerar todo o secretariado no último dia de governo. E afirma que todos os grandes contratos do ex-governador serão analisados em auditoria. Em sua residência em João Pessoa, transformada ontem em gabinete de governo, Maranhão recebeu a reportagem do Estado. Qual o significado da decisão do TSE de cassar Cunha Lima dois anos após a eleição?Foi um resgate de um esbulho, de uma usurpação. De fato ganhamos a eleição e eles roubaram a eleição, e isso ficou bem claro no processo. O processo eleitoral na Paraíba foi viciado, predominando a compra de votos oficialmente com o dinheiro público. Foram 35 mil cheques. Isso decidiu a eleição. Mas eles faziam outros tipos de trabalho junto aos prefeitos das cidades. Ele chamava os prefeitos e dizia que queria ajudar, que tinha um convênio e dava 50% antes e 50% depois da eleição.O senhor esperava a exoneração de todos os secretários?Eles exoneraram inclusive todos os comandos das polícias de uma forma muito irresponsável, porque é época de carnaval, são 150 mil, 200 mil pessoas nas ruas. Isso não se faz, ninguém nunca fez isso. A Polícia Civil em greve, eles saíram só para a gente negociar.Como encontrou o Estado?Isso deu um impacto violento. O Diário Oficial de ontem (anteontem) com as exonerações só circulou à noite, depois da minha posse. Eu vinha para casa, e me disseram se eu tinha visto aquilo. Demitiram todos, inclusive todo comando da polícia. O que fazer agora com dois anos de governo?Nós estávamos levantando já alguns dados do governo. Na área de saúde tem 26 hospitais com obras paralisadas. A situação dos hospitais de referência é caótica, por falta de medicamento, equipamentos quebrados. O Cássio não aplicava o mínimo porcentual previsto na Constituição para saúde. Vou gastar R$ 2 milhões em média para terminar esses hospitais. Essa é sua principal meta?Tem outra coisa que é emergência, a segurança pública. A polícia da Paraíba tem bom nível, mas não tem viaturas, não tem armamento, não tem aparelhos de radiocomunicação e isso desestimula. Vamos ter de aumentar nos investimentos na segurança. Esses serão dois projetos emergenciais. Qual sua principal crítica ao governo Cunha Lima na Paraíba?Ter única e exclusivamente a preocupação com resultados eleitorais. É o vale-tudo, tudo é bom, desde que ganhe a eleição. Em outra linguagem, é a falta de compromisso público.Como vai tomar pé da situação?Vamos auditar todas as contas do Estado, sem nenhum propósito revanchista. O que queremos é conhecer a real situação das contas públicas. Porque aqui se diz muito que ele não obedeceu à Lei de Responsabilidade Fiscal, no que diz respeito às contas específicas. Tudo ia para o caixa único. Fazia um convênio, tinha de ir para conta específica, mas eles sacavam e ia para o caixa.O senhor também é alvo de dois processos que podem resultar em cassação.Não, esses processos foram movidos contra o prefeito de Campina Grande.Mas o sr. é beneficiário?Eu sou indiciado no processo, mas não tenho nada a ver com isso, não fui flagrado em nenhum desses casos. Nos dois eram pessoas dizendo que queriam me ajudar, mas não tenho nada a ver com isso. Além do que são casos sem fundamento, sem provas e que o próprio TRE derrubou.

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