Sou do MST, diz José Rainha

O líder José Rainha Júnior, de 48 anos, disse hoje que, apesar de ter sido afastado de cargos de direção, não pretende deixar o Movimento dos Sem-Terra (MST), que ajudou a fundar. "Sou do MST e vou continuar sendo." Ele disse que a informação de que está proibido de falar pelo movimento, atribuída a Delwek Matheus, coordenador nacional do movimento, não é nenhuma novidade. "Já faz tempo que não falo em nome do MST, mas tenho uma história dentro do movimento".Rainha ficou aborrecido com a "desautorização" pública de sua liderança pelo dirigente. "É uma questão interna", disse. "Todo dirigente que preza os princípios éticos e as normas da organização não discute essas questões fora dela." Segundo as declarações de Matheus, o líder teria adotado posturas contrárias às orientações do movimento, com sua participação na criação da Federação dos Municípios com Assentamentos do Pontal do Paranapanema. "Sou um assentado e estimular o associativismo é um dos princípios do MST", disse.Outra razão do desagrado seria o abraço que deu no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no ano passado, durante visita a um acampamento, quando o movimento desencadeava uma seqüência de invasões no País. Para Rainha, isso seria uma incoerência, pois líderes nacionais, entre eles o próprio Delweck, estiveram no palanque montado para Lula em recente visita a Andradina. Principal articulador da luta pela terra no Pontal do Paranapanema, extremo oeste de São Paulo, Rainha rachou o movimento na região depois de ser afastado da direção da Cocamp, a cooperativa dos assentados. Ele foi acusado de ter desvio de verbas, mas a acusação não foi comprovada em investigação do Ministério Público Federal.Rainha passou a liderar seu próprio grupo nas invasões de fazendas. O mais novo episódio do racha foi a invasão da Fazenda Santa Luzia, em Mirante do Paranapanema, antecipando-se ao grupo subordinado à coordenação regional. A compra da área estava sendo negociada pelo Incra.

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