Soropositivos criam rede para melhorar condições de vida

Portadores do vírus HIV, causador da aids, criaram uma rede nacional chamada RNP+ com representantes de todas as regiões do País para lutar pela melhoria das suas condições de vida. Esse foi o resultado concreto da 1ª Reunião de Núcleos RNP+ Brasil, encerrada ontem em Brasília."O Brasil já avançou muito, pois mantém um programa de distribuição gratuita do coquetel antiaids. Mas existem outros problemas", avalia o psicólogo Mário Ângelo Silva, representante da região Centro-Oeste na RNP+. Entre eles, estão a garantia de que os medicamentos que combatem as infecções oportunistas estejam disponíveis na rede pública de saúde, a possibilidade de realizar exames e a reinserção dos portadores do HIV no mercado de trabalho."Só reivindicamos que o que está previsto na lei e é direito de toda a população. Mas nem sempre esse direito é respeitado?, afirma Ana Paula Prado, presidente da organização não-governamental Arco-Íris e representante do Distrito Federal na rede. Eles acreditam que, por meio da rede, será possível fortalecer o movimento, aumentando as chances de as reivindicações serem atendidas.A avaliação dos participantes do encontro é que os Estados e municípios não vêm cumprindo a sua parte no que diz respeito ao atendimento dos portadores do HIV. Ana Paula reconhece que a distribuição do coquetel é muito importante, mas lembra que o tratamento não se limita a isso. "Estamos completando sete anos de coquetel e a epidemia está tomando uma nova cara. Por isso, temos novos problemas para enfrentar", lembra Silva.Ele cita como exemplo as chamadas lipodistrofias (acúmulo de gordura em determinadas partes do corpo), que são um efeito colateral do coquetel. Além de gerar problemas de auto-estima, a pessoa fica com uma aparência que permite que ela seja reconhecida como portador do HIV. "Existe possibilidade de reparação, mas a rede pública e os planos de saúde não a vêem como um tratamento e sim como uma reparação estética", explica o psicólogo.Outro resultado da reunião foi a aprovação de uma moção de repúdio contra a decisão da juíza Elizabeth Lopes de Freitas da Vara da Infância e da Juventude de Santos (SP), que determinou a separação de irmãos com sorologia diferente - dos quatro, dois são portadores do HIV. A moção foi encaminhada à Corregedoria de Justiça de São Paulo, aos ministérios da Justiça e da Saúde e Conselho Nacional de Aids.

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