Sorocaba contrata parentes de assessores candidatos

Quatro funcionários de alto escalão da prefeitura de Sorocaba, nomeados para cargos em comissão (sem concurso público), deixaram as funções para concorrer à Câmara, mas não perderam a renda familiar. Eles indicaram para suas vagas pessoas da própria família e a prefeitura aceitou. Os salários variam de R$ 2,6 mil a R$ 3,5 mil por mês. A exoneração dos servidores e a nomeação dos parentes foram publicadas na imprensa oficial do município. As portarias foram assinadas pelo prefeito Renato Amary (PSDB). Dois dos comissionados são ex-vereadores. A prefeitura informou que os cargos são de confiança e de livre provimento do prefeito, não havendo ilegalidade nas nomeações. "Pode não ser ilegal, mas é imoral", disse o vereador Arnô Pereira (PT). "Está sendo criada uma nova modalidade de função pública, o cargo familiar." Segundo ele, a troca dos cargos em comissão atende a interesses eleitorais e a nomeação de parentes dos ocupantes pode caracterizar abuso de poder político. Os servidores que se candidataram eram administradores de próprios municipais, como centros esportivos e comunitários. O lugar do ex-vereador Claudemir Justi, que concorre à Câmara pelo PSDB, foi ocupado pela esposa, Claudete Dias Batista Justi. Já a ex-vereadora Maria Aparecida Queiroz Almeida, que disputa pelo PL, passou o cargo para a filha Renata Fogaça de Almeida. O ex-comissionado Hélio Godoy destinou seu cargo para a mulher, Alilezia Nunes Mendes de Godoy, assim como Sérgio Leonardo Fernandes, que entregou o posto à esposa, Sônia Regina de Campos Leonardo. Outros seis servidores concursados, portanto efetivos, que vão disputar as eleições, deixaram os cargos, mas nada receberão durante a campanha. Se não se elegerem, podem reassumir as funções com os mesmos salários e benefícios.

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