Soninha propõe Cohab para classe baixa morar no centro de SP

Candidata do PPS tem como principal proposta para a cidade o repovoamente da região, para todas as classes

Giuliana Vallone, do estadao.com.br,

12 de agosto de 2008 | 16h57

O centro da cidade é o foco da campanha de pelo menos dois candidatos à Prefeitura de São Paulo. Em seminário na Fundação Armando Álvares Penteado, Soninha Francine (PPS) detalhou nesta terça-feira, 12, a principal proposta de sua campanha: o repovoamento da região. Ela defende que o centro seja ocupado por pessoas de diversas classes sociais, e propõe que a Prefeitura leve a classe baixa para a região por meio da Cohab.  Veja Também: Levy Fidelix quer placas em inglês para 'ajudar gringos' em SPPesquisa Ibope - São PauloPerfil de Soninha FrancinePerfil de Levy FidelixGuia do eleitor esclarece dúvidas sobre o pleito Ela explicou que, nos últimos anos, houve um êxodo de cerca de 400 mil moradores do centro para as regiões nas extremidades do município. O que tem acontecido, segundo Soninha, é que há uma concentração de serviços, emprego, redes de esgoto e transportes no centro e um déficit desses itens nas regiões que agora concentram a população.  "Tem que repovoar o centro com pessoas de todas as classes sociais. Não adianta encher o centro de apartamento de 400 m² e quatro vagas na garagem porque isso não vai funcionar", afirmou. Segundo ela, é preciso garantir ofertas de moradia na região para quem ganha entre dois e três salários mínimos. E é a Prefeitura que deve fazer isso, através de duas alternativas: "Uma é ela mesma produzir essas habitações - desapropriar áreas e construir no centro - e oferecer à população por meio da Cohab. A outra é fazer isso em parceria com o mercado". Além disso, segundo ela, é preciso investir no desenvolvimento das áreas mais afastadas, como Cidade Tiradentes e Brasilândia, "para que elas não sejam um mundo à parte". A candidata não detalhou, porém, de onde viriam os recursos para o projeto. "O recurso viria de investimento direto da Prefeitura. E também da iniciativa privada. A Prefeitura pode oferecer condições para que haja investimentos privados nessas regiões", disse.  Marca registrada de sua campanha, a bicicleta também esteve presente no evento. Soninha entrou no palco do auditório pedalando, como se tivesse acabado de chegar ao local. Logo depois, porém, revelou que não era bem assim. "Não acreditem em tudo o que vocês vêem. A bicicleta não é minha, é emprestada, isso aqui é truque. Hoje, eu vim de moto", disse.  Sobre a concentração da disputa eleitoral em três candidatos - Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) -, ela afirmou que a polarização foi interessante para sua candidatura pois reduziu o número de candidatos na disputa. Por outro lado, porém, essa concentração antecipa o 2º turno da disputa. "As pessoas votam para derrotar quem detestam", disse. "Várias pessoas me abordaram para dizer 'olha, eu gosto de você, mas tenho que votar em outra pessoa porque fulano não pode vencer'."  Centro administrativo O centro da cidade também é alvo da campanha de Levy Fidelix (PRTB). O candidato propõe que o centro administrativo da cidade de São Paulo, composto de um paço e prédios dedicados ao funcionamento das secretarias municipais, seja concentrado na região central. "Vamos dar ao centro da cidade uma nova vida", afirmou.  Fidelix citou a "Cracolândia", na região da Luz (centro de São Paulo), como uma das opções para abrigar esse novo centro. "A 'Cracolândia' não serve para nada, a não ser para a venda e consumo de drogas", disse, defendendo a desapropriação do local. Horário eleitoral Os candidatos falaram também sobre a dificuldade de apresentar suas propostas diante de um espaço pequeno na propaganda eleitoral que será veiculada em rádio e TV a partir do dia 19 de agosto.  Fidelix, que terá 54 segundos por veiculação, afirmou que pretende concentrar as propagandas em cerca de cinco pontos de sua campanha, incluindo o novo centro administrativo e o chamado "aerotrem". "Eu falo rápido, já estou acostumado", disse.  Já Soninha, que tem 1min46s, afirmou que dividiu seu programa eleitoral ao longo das propagandas que serão veiculadas. "Cada coisa será detalhada uma vez só", disse. "Ao final da campanha, nós teremos em cerca de 20 minutos um resumo do programa de governo."

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