Alex Silva/AE
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Soninha diz que ação na cracolândia foi 'burrice'

Candidata criticou apadrinhamento político nas eleições e disse que Haddad sem Lula iria precisar 'começar do zero'

Cristiane Salgado Nunes - O Estado de S. Paulo,

28 de agosto de 2012 | 17h40

Em entrevista ao 'Estado', nesta terça-feira, 28, a candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine, declarou que foi "burrice" da Segurança Pública e do Governo do Estado a ação na cracolândia, na região central da capital paulista. Para ela, a ação teria que ter sintonia com a assistência social, saúde, prefeitura e governo. Soninha também falou sobre financiamento de campanha e sobre o diferencial de ter um padrinho político, citando Fernando Haddad e Lula.

A candidata afirmou que é difícil concorrer com candidatos com apadrinhamento político, como no caso do petista: "Haddad sem padrinho, precisaria começar do zero, dizendo quem ele é. A foto com o Lula é o que realmente pode alçá-lo a um patamar maior nas pesquisas de intenção de voto". Soninha apontou que a eleição da presidente Dilma Rousseff foi o maior exemplo de "empenho" no apadrinhamento: "Lula elevou em nível nacional o significado de padrinho a 'níveis nunca antes vistos na história desse País'.É ilegal, tem que haver um limite".

Como postulante de um partido de menor porte, Soninha falou que uma das principais dificuldades de obter recursos para a campanha é a "quantidade de pessoas que não querem aparecer como doadores", na possibilidade de isso causar "embaraços" posteriormente. Para Soninha, estabelecer fundos públicos não resolveria o problema: "Existe muitas maneiras de gastar dinheiro de campanha, sem passar pela prestação de contas. A candidata criticou como a prática de boca de urna e casos de caixa 2 são tratados com "naturalidade" durante as campanhas eleitorais.

Soninha ainda afirmou que quando foi vereadora presenciou esquemas de pagamento de propina na Câmara: "Todo mundo sabe que existe compra de voto e troca de apoio por cargo. A única coisa que eu não sabia era que as votações não são pra valer, eram combinadas antes".

Propostas. Na saúde, Soninha afirmou que seria necessária criar "mutirões" para acabar com as filas nos hospitais e criticou a gestão do atual prefeito na área. "A gestão de Kassab não funciona, as pessoas são mal atendidas, não tem profissionais".

Quanto à educação a candidata avaliou que a administração de Paulo Maluf e Celso Pitta foram "horríveis" para São Paulo e afirmou que com Marta Suplicy, José Serra e Kassab, houve "alguns avanços e algumas escolas foram construídas".

Para o transporte, Soninha defendeu investimentos em corredores de ônibus e a criação de planos cicloviários locais. A candidata, quando questionada sobre a atuação do Controlar, respondeu que é importante a inspeção veicular para que o automóvel "funcione nos conformes", mas criticou o "transtorno" que o cidadão enfrenta para realizá-la.

Soninha também abordou a questão de animais de rua e disse que é preciso ampliar serviço de castração e educar as pessoas. "Os animais são largados em parques. Tem que ser criado um disque-denúncia para maus os tratos e colocar a Guarda Civil Metropolitana para averiguar".

Legalização da maconha. A candidata afirmou que defende a legalização e explicou que seu comentário na sabatina da Folha de S. Paulo sobre a venda em bares foi um exemplo "irônico". "A prefeitura não tem poder de mudar legislação federal. Os bares vendem vários tipos de entorpecentes que podem causar dependência, como a cerveja e a cachaça. Por que esse assunto não consegue ser discutido racionalmente?", questionou.

A respeito do candidato do PRTB, Levy Fidelix, ter a chamado de "maconheira" em entrevista à TV Estadão, Soninha disse que desistiu de processá-lo e o que aconteceu foi um "esculacho" e "irresponsabilidade" da parte dele.

Próximos entrevistados. Na quarta-feira, 29, será a vez de Celso Russomanno (PRB) responder às perguntas dos jornalistas do Grupo Estado e apresentar seu programa de governo. Na quinta-feira, 30, Fernando Haddad (PT) será entrevistado. O candidato José Serra (PSDB) foi convidado para a sexta-feira, 31, mas ainda não confirmou presença.

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