Sonhos de boca-livre e crítica ao Corinthians

Lula lamenta não ter desfrutado de bebida na casa de Vinícius

Felipe Werneck, RIO DE JANEIRO, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2007 | 00h00

O homenageado da noite era o samba carioca, mas o presidente Lula aproveitou o discurso no Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio, para criticar o Corinthians e falar de filmes. Na festa dos 70 anos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Lula provocou risadas na platéia ao comentar o filme Vinícius (2005), de Miguel Faria Júnior. "Eu percebi que sou um homem infeliz quando assisti a um filme do Vinícius de Moraes. Eu não tinha amizade com o Vinícius e não fui convidado para aquela casa de porta aberta que ele tinha em Petrópolis, onde qualquer um podia entrar, e tinha bebida lá esperando; beber sem pagar. Mas estou feliz por estar vivendo este momento."Antes, o presidente dissera que estava feliz por ter assistido na semana passada ao filme Cartola - Música para os Olhos (2007), de Lírio Ferreira. Ele aconselhou o filme à platéia, com uma ressalva: "Por favor não comprem pirata."Lula abriu o discurso com um desabafo, ao afirmar que o Corinthians "está colhendo o que plantou". "Não plantou nada, não vai conquistar nada. É a primeira vez que faço uma crítica ao Corinthians." Segundo ele, o Vasco, que venceu anteontem por 1 a 0, "jogou o Corinthians sem querer para a boca do abismo para enfrentar o Grêmio e quem sabe passar para a segunda divisão"."Isso é triste. Mas é alegre também, porque muita gente diz que o futebol brasileiro não é sério. Precisamos lembrar que neste Estado times como Botafogo e Fluminense já foram rebaixados.", disse. "Portanto, se o Corinthians for rebaixado, é triste mas é bom porque significa que o futebol brasileiro age com seriedade. Quem sabe um dia a gente transforme também o futebol em patrimônio cultural deste país."Ele só citou o samba no fim do discurso. A titulação do samba de terreiro, do partido-alto e do samba-enredo como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil teve a presença de ritmistas de seis escolas. Lula beijou suas bandeiras, recebeu no palco seus presidentes e sambistas e posou para fotos com porta-bandeiras."Estou feliz porque estou na comemoração do Iphan e homenageando sua majestade, o samba. Mesmo um perna dura como eu é capaz de mexer o pé quando começa a tocar o samba."

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