Sondagem de votos indica absolvição de Paulinho

Ao menos 8 dos 15 integrantes do Conselho de Ética devem rejeitar o relatório do deputado Paulo Piau

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2008 | 00h00

Levantamento realizado pelo Estado entre titulares e suplentes do Conselho de Ética da Câmara aponta para a absolvição do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical. A expectativa é de que o relatório do deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que pede a cassação do mandato de Paulinho, seja rejeitado por, no mínimo, 8 dos 15 integrantes do colegiado que terão direito a voto na próxima semana. Alguns dos entrevistados preferiram não se manifestar. Paulinho é suspeito de participar de esquema fraudulento de liberação de verbas do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), descoberto durante a Operação Santa Tereza, da Polícia Federal (PF). A provável absolvição no Conselho de Ética faria parte de acordo do período pré-eleitoral, que viabilizou o apoio do bloquinho - PDT, PSB, PC do B, PMN e PRB - à candidatura da ex-ministra Marta Suplicy (PT) à Prefeitura de São Paulo."Tudo indica que houve negociação em troca do apoio à candidatura da Marta", afirmou o líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP). "O espírito de corpo, a Força Sindical e o peso do presidente Lula tendem a ser muito maiores do que a opinião pública", observou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), ao apostar que o processo contra Paulinho acabará em pizza. A abertura de processo contra o deputado no Conselho de Ética ocorreu a pedido do PSOL.OPOSIÇÃOO relatório favorável à cassação deverá ser acompanhado apenas pelos partidos de oposição. Os dois deputados titulares do PSDB no conselho - Mendes Thame (SP) e Ruy Pauletti (RS) -, além de Moreira Mendes (PPS-RO) e Solange Amaral (DEM-RJ), são votos certos pela cassação. Já o deputado Efraim Filho (DEM-PB) deverá votar contra o relatório. A cúpula do DEM recomendou o voto a favor da cassação, mas decidiu que isso não será tratado como questão partidária. Os integrantes de partidos aliados deverão votar em peso contra o relatório. Piau não deverá ter o apoio nem mesmo dos integrantes de seu partido. "Não existem provas cabais, concretas, contra o Paulinho", argumentou o deputado Wladimir Costa (PMDB-PA), ao justificar o voto contra a cassação. O deputado Antônio Andrade (PMDB-MG) não se pronunciou oficialmente sobre o relatório, mas a amigos confidenciou que está propenso a votar contra.Os dois representantes do bloquinho no colegiado - Dagoberto (PDT-MS) e Abelardo Carmarinha (PSB-SP) - anunciaram o voto contra o relatório de Piau. Sandes Júnior (PP-GO) também deu sinais que votará contra a cassação. A posição deverá ser seguida pelo presidente do conselho, Sérgio Morais (PTB-RS). O deputado José Carlos Araújo (PR-BA), que deverá votar no lugar do corregedor Inocêncio Oliveira (PR-PE), também deverá votar pela absolvição.Os dois deputados do PT - Fernando Melo (AC) e Leonardo Monteiro (MG) - não se pronunciaram sobre os seus votos. Uma das estratégias para absolvição de Paulinho é, no lugar dos titulares petistas, fazer votar deputados suplentes da base aliada. Os deputados Marcelo Ortiz (PV-SP) e Hugo Leal (PSC-RJ) são suplentes que estão prontos para derrubar o pedido de cassação. Se os dois titulares petistas não votarem, o relatório de Piau deverá ser derrubado por dez votos e contará com apenas cinco favoráveis. "Espero que meu relatório seja aprovado pela consistência. Há provas cabais contra a quebra de decoro. Agora não há provas de crime", reconheceu Piau. A interlocutores, porém, ele também prevê que dificilmente o relatório será aprovado.

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