Solução para reajuste do mínimo depende de Lula, diz CUT

Por Carmen Munari

REUTERS

21 Dezembro 2010 | 20h01

SÃO PAULO (Reuters) - Depende de uma decisão política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em acordo com a presidente eleita Dilma Rousseff, elevar o salário mínimo do ano que vem acima dos 540 reais oferecidos pelo próprio governo. O tema está em debate nesta terça-feira no Congresso.

A opinião é de Artur Henrique da Silva, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que, junto com as demais centrais sindicais, reivindica aumento dos atuais 510 reais para 580 reais a partir de 1o de janeiro, que inclui cerca de 5 por cento de ajuste pela inflação mais aumento real de 8 por cento.

O dirigente da CUT, que representa mais de 20 milhões de empregados do país, disse que conversou com Lula na noite de segunda-feira, durante homenagem ao presidente no Sambódromo do Rio de Janeiro.

Lula disse apenas que iria consultar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e que a decisão deveria ser feita em conjunto com a equipe de transição, porque caberá ao governo Dilma gerir o Orçamento da União de 2011.

Até agora, as seis centrais sindicais tiveram apenas um encontro com o ministro Paulo Bernardo (Planejamento), em novembro, e aguardam um novo encontro.

"É muito ruim o Lula terminar o mandato sem aumento real do salário mínimo e Dilma começar sem o reajuste", disse à Reuters Artur Henrique da Silva. "O debate não tem que ser feito no Congresso. Lá é leilão para ver quem propõe um salário maior", afirma.

O Orçamento da União de 2011, em discussão no Congresso, prevê 540 reais para o mínimo, embutindo correção inflacionária sem ganho real. O valor do salário mínimo tem forte pressão nas contas públicas, dado seu impacto nos pagamentos dos benefícios da Previdência Social.

Pelo acordo entre governo e trabalhadores, fechado há quatro anos, além da inflação o mínimo acompanha o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Contudo, como em 2009 o país teve retração econômica, em função da crise financeira internacional, o valor para o ano que vem não leva este índice.

"Colocar nas costas dos trabalhadores a culpa pela crise de 2008 e 2009 não é justo", acredita Artur.

Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), disse que vai tentar sensibilizar o presidente Lula na quinta-feira, quando ele participa em São Paulo do Natal dos catadores de rua.

Ubiraci Dantas de Oliveira, vice-presidente da Central Geral dos Trabalhadores (CGTB), afirma que o reajuste real do salário mínimo ajudou a distribuir renda e contribuiu para conter a crise internacional. No país, 49 milhões de trabalhadores dependem do salário mínimo.

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