Sócio da Aeromídia nega pagamento de propina à Infraero

O sócio da empresa Aeromídia Publicidades, de Curitiba, Carlos Alberto de Carvalho negou nesta segunda-feira, 16, por meio da advogada Luciana Reis, qualquer pagamento de propina a funcionários da Infraero. As denúncias de irregularidades foram confirmadas por Silvia Pfeiffer, ex-procuradora da empresa, e foram publicadas na revista IstoÉ desta semana. A empresa veicula e comercializa publicidade nos aeroportos e teria participado de um esquema de pagamento de propinas desde 2003, de contratos fraudulentos e também de favorecimentos em licitações. As irregularidades envolveriam políticos, autoridades e servidores da Infraero. Esta manhã, o superintendente da Polícia Federal, Jaber Saadi, negou qualquer procedimento investigatório. "Por enquanto não temos nada", acentuou. "A hora em que chegar alguma comunicação sobre a Infraero nós iremos apurar, iremos instaurar inquérito, estamos aguardando que venha algum material oficial." Ele disse que seu conhecimento era por meio da imprensa.Pfeiffer não foi encontrada nesta segunda-feira. Segundo a reportagem, ela se intitulou sócia da Aeromídia e revelou que conseguiu contratos para publicidade no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, pagando mesada a diretores. A Infraero informou que o superintendente regional, Antonio Felipe Barcelos Silva, um dos citados como beneficiário de propinas, somente vai se pronunciar quando houver denúncia formal.IrregularidadesÀ revista, ela disse que foi procurada pelo ex-secretário de Urbanismo e Finanças da prefeitura de Curitiba, Carlos Alberto de Carvalho, para facilitar na obtenção de alvarás para veicular anúncios no aeroporto. Em troca, o secretário teria pedido para se tornar sócio da Aeromídia. A partir daí, a Aeromídia teria passado a emitir notas frias e fechar contratos irregulares, passando posteriormente a sediar reuniões da campanha do ex-prefeito Cassio Taniguchi, e arrecadou R$ 20 milhões para um suposto caixa 2.Segundo a advogada, Carvalho entrou como sócio da Aeromídia, em 2001, depois que um amigo comum o apresentou à mulher. Ela tinha carta como procuradora da empresa, mas estaria fora desde 2004. No ano passado, apenas uma de suas filhas constava como sócia, mas, segundo a advogada, em razão de problemas criados pela mãe, que fez dívidas utilizando o nome da empresa e não pagou, Carvalho resolveu comprar os 15% dela. Como houve resistência na venda, ele entrou na Justiça e conseguiu, em meados do ano, liminar de exclusão como sócia. A ação ainda não foi julgada. "Isso tudo é uma discussão de dissolução de sociedade", qualificou a advogada. Ela acusou Pfeiffer de estar respondendo a ações por estelionato, falsidade ideológica e uso de documentos falsos.De acordo com ela, não tem sentido as acusações de que o então secretário se ofereceu para facilitar a veiculação das publicidades, porque o aeroporto é área da União. "E, mesmo que fosse municipal, seria competência do município de São José dos Pinhais, e não de Curitiba", salientou. Campanha eleitoralSobre a campanha eleitoral, a advogada argumentou que Carvalho entrou somente em 2001 como sócio, enquanto a eleição de Taniguchi foi em 2000. Em uma nota, o ex-prefeito de Curitiba, hoje secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do Distrito Federal, negou conhecer Pfeiffer ou a Aeromídia. "A questão de um ´suposto´ caixa 2 na minha campanha eleitoral já foi devidamente julgada pelo egrégio Tribunal Superior Eleitoral, e restou comprovada minha inocência e a não existência de um segundo caixa", afirmou.A advogada afirmou, ainda, que a empresa possui apenas três pontos de publicidade no Afonso Pena, um no aeroporto de Londrina, um no de Foz do Iguaçu e um no de Florianópolis (SC). "É um absurdo as denúncias de pagamento de propinas", realçou a advogada. Segunda ela, a filha do superintendente da Infraero no Afonso Pena, Lorena, fez estágio na Aeromídia como participante do programa Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) e recebia R$ 225,00, enquanto o filho do gerente comercial do Afonso Pena, Arlindo Lima Filho, trabalhou na empresa, como profissional, por pouco tempo, com carteira assinada, recebendo cerca de R$ 600,00. "Na época, o Arlindo nem era gerente comercial", disse. Tanto Carvalho quanto Taniguchi prometeram tomar "todas as medidas judiciais cabíveis".

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