Sergio Castro|Estadão
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Sociedade votou por um projeto de mudança, diz tucano eleito em São Bernardo do Campo

Em entrevista à Rádio e à TV Estadão, Orlando Morando, escolhido para governar a cidade que é o berço do PT em São Paulo, afirma ainda que uma das primeiras medidas que tomará será demitir 'todos os petistas' em cargos comissionados

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2016 | 13h18

O prefeito eleito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), disse eme ntrevista exclusiva à Rádio e à TV Estadão nesta segunda-feira, 7, que a sociedade votou por um projeto de mudança nas últimas eleições municipais e viu aquilo que sempre foi a essência do PSDB: o antagonismo ao PT. "Não foi à toa que elegemos tantos prefeitos. O PSDB vai governar 52% dos eleitores do Estado de São Paulo e em cidades grandes, onde governa ou já governou o PT", afirmou.

Morando, que durante a campanha teve apoio do prefeito eleito de São Paulo João Doria e do governador  do Estado Geraldo Alckmin, afirmou ainda que irá diminuir o "tamanho da máquina pública" assim que assumir a gestão da cidade do ABC paulista. "Quero impor práticas do setor privado para o poder público", afirmou.

O tucano disse que vai reduzir o número de secretarias - hoje em 24 - para algo entre 15 e 18. Também disse vai cortar cargos comissionados (CCs). Nesse caso, afirmou que pretende começar demitindo "todos os petistas de outras cidades e Estados" que foram contratados em cargos comissionados pelo governo atual. "O cargo político é importante? É, porque, por exemplo, preciso colocar um médico da minha confiança para gerir um hospital. Mas sou contra o aparelhamento partidário da máquina pública", diz Morando. O prefeito eleito também afirmou que vai abolir carro oficial para todos que tinham direito na prefeitura, a começar por ele.

O prefeito eleito disse também que, em seu discurso de vitória em 30 de outubro, mencionou seu perdão às baixarias da campanha eleitoral "que foram muitas". "O povo já está indignado com os políticos e com a política, porque não vê mais no homem público aquela missão de ser o agente transformador da sociedade", afirmou. Morando disse que a indignação da sociedade com a classe política precisa ser resolvida pelos prefeitos, por serem os agentes públicos mais próximos da população.

Nesse contexto de rejeição social à classe política, Morando afirmou que Doria é um "case" a ser estudado. "Ele é um grande comunicador." O tucano de São Bernardo afirmou que a participação do prefeito eleito da capital paulista em sua campanha contribuiu para a sua vitória.

Medidas. Morando também afirmou que planeja reindustrializar São Bernardo do Campo, que tem uma taxa de desemprego de 18%, acima dos 12% do cenário nacional. Ele disse que não pretende esperar o reaquecimento da economia brasileira para ver a geração de empregos na cidade. "(O fortalecimento da economia local) não vai acontecer de forma natural", disse. Para que as empresas voltem a crescer e a contratar, o prefeito disse que vai trabalhar com "ousadia tributária e fiscal". Como exemplo, o tucano disse que deve dar desconto ou benefício no IPTU para a montadora de veículos instalada no município que lançar uma nova linha de produção - e, portanto, admitir novos trabalhadores.

Em resposta a perguntas de ouvintes da Rádio Estadão, o prefeito eleito afirmou que vai rever as obras inacabadas na cidade. Segundo ele, a meta é retomar o trabalho nesses locais ainda no primeiro semestre. Sobre a linha 18 bronze do Metrô de São Paulo, Morando afirmou que o andamento da obra depende dos governos federal e estadual. Ele disse que o projeto parou por causa do governo do PT. "O ministro petista Joaquim Levy (ex-ministro da Fazenda) proibiu a contratação de empréstimos internacionais, o que prejudicou o andamento dessa PPP (Parceria Público Privada)."

Transição. O tucano também afirmou que deve reunir-se nesta terça-feira, 8, com o atual prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT) para a primeira reunião de transição. "O prefeito me ligou e temos reunião amanhã. Sou otimista quanto à transição", disse.

Morando lembrou que os prefeitos do ABC paulista têm um consórcio com sete municípios. "Queremos que o Estado e a prefeitura da capital tenham assento nesse consórcio, porque os problemas são comuns entre as cidades", disse. "Mas (esse consórcio) não pode ser um clube para bater papo", afirmou.

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