Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Sociedade se tornou refém de ‘milícias digitais’, afirmam analistas

Especialistas discutiram os efeitos de grupos de pressão nas redes sociais; debate foi promovido pelo Fórum da Liberdade 2021

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2021 | 21h28

Estamos nos tornando reféns de grupos de pressão que utilizam as redes sociais para pautar a opinião pública – as popularmente chamadas “milícias digitais”. A opinião é de especialistas que participaram nesta terça-feira, 13, do Fórum da Liberdade 2021, evento que reúne políticos, analistas e empresários.

Um dos presentes no evento, o escritor e filósofo Luiz Felipe Pondé afirmou que o fato de sermos reféns das milícias digitais não significa, no entanto, que a nossa liberdade de expressão está completamente destruída. O professor ressaltou em sua fala o caráter mercadológico por trás desse cenário. “Essa censura que está acontecendo é como se fosse um negócio. Se eu conseguir tirar alguém de uma Universidade, sobra mais espaço para o meu grupo. Se eu cancelar alguém na mídia social, talvez os patrocinadores se afastem dessa pessoa (que foi cancelada)”, afirma o filósofo.

Também presente no evento, o sociólogo Frank Furedi chamou atenção para a intensa polarização nas redes. “As pessoas são encorajadas a não conversar, falar apenas com aqueles que são semelhantes.” O cientista político Jason Brennan foi na mesma linha: “Infelizmente, a internet é dominada por um lado contra o outro. Isso aumenta a polarização e a censura”.

Ferramentas digitais na Educação

Em debate sobre ferramentas digitais na educação, o matemático e professor americano Salman Khan, criador da Khan Academy – instituição que publica videoaulas gratuitas no YouTube – falou sobre como a pandemia de covid expôs a necessidade de professores saberem usar outras técnicas de ensino, especialmente de modo online.

Khan afirmou que o ensino presencial segue sendo a prioridade em qualquer lugar do mundo, mas destacou o quanto a tecnologia pode aproximar estudantes, facilitar o aprendizado e ainda mudar conceitos sobre como ensinar, obtendo bons resultados. “O primeiro vídeo que eu fiz, em 2006, foi rejeitado pelo YouTube porque tinha 12 minutos. Eu tinha uma visão tradicional, não sabia como explicar um conceito em dez minutos. Depois, entendi que qualquer aula poderia ser decomposta em sessões de dez minutos.” Segundo Kahn, o tempo das aulas faz diferença, ainda mais se dada por vídeo.

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