''Sociedade civil não nasceu ontem''

Representantes de ONGs de combate à corrupção festejam recuo

Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

19 de fevereiro de 2009 | 00h00

O ato de "voltar atrás" da decisão de omitir o CNPJ das notas fiscais, apresentando os dados à sociedade civil, animou as ONGs de combate à corrupção no Brasil, que trataram o caso como um "bom sinal". "Depois de terem tentado esconder os dados, eles agiram rápido, sentiram a barra e consertaram o malfeito anterior", avaliou Cláudio Abramo, diretor-executivo da Transparência Brasil. As entidades comemoraram o resultado prático da medida tomada pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Segundo elas, voltou a existir a possibilidade de organizações civis trabalharem os dados de forma a torná-los palatável para o público em geral. "É mais material para a imprensa e o terceiro setor fortalecerem o processo de transparência", ressaltou Humberto Dantas, do Movimento Voto Consciente.Para Abramo e Dantas, é válida a capacidade de releitura da Câmara, que respondeu a reações desfavoráveis contra suas medidas. "O que é algo raro", ressalvou Abramo. "Quem não volta atrás uma vez na vida?", brincou Dantas. "Eles começaram a perceber que a sociedade civil não nasceu ontem."A divulgação do CNPJ nas notas fiscais animou também Lizete Verillo, diretora da rede de ONGs de combate à corrupção Amarribo, que coordena trabalhos em pelo menos 80 cidades em todo o Brasil. Mesmo trabalhando em âmbito municipal, Lizete acredita que o exemplo pode ser seguido pelas Casas legislativas do País. "Queremos que seja replicado por todos os municípios fiscalizados pela rede. Vamos pressionar. Algum vereador bem intencionado que pode aproveitar a oportunidade", destacou.

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