Sociedade civil fará ato pelo fim da greve do Judiciário

Alguns dos mais importantes e influentes representantes da sociedade civil, entre empresários, banqueiros e investidores, decidiram hoje fazer parte do "ato público pela volta da Justiça", coordenado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo que pede o fim da greve dos servidores do Judiciário, deflagrada há 87 dias. A manifestação será na próxima segunda-feira, na Praça da Sé.Confirmaram presença no ato Paulo Skaf, presidente eleito da Federação das Indústrias do Estado (Fiesp); Cláudio Vaz, presidente eleito do Centro das Indústrias do Estado (Ciesp); Guilherme Afif Domingos, presidente da Associação Comercial; Alencar Burti, presidente do Sebrae; Marcio Cypriano, presidente da Federação dos Bancos (Febraban); e Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio."Diante da continuidade da paralisação do Judiciário, que avança para o terceiro mês, a OAB está mobilizando toda a advocacia e as entidades representativas da sociedade no sentido de enfatizar a busca por uma solução conciliatória urgente, que leve São Paulo a normalizar os serviços forenses em todo o Estado", declarou Luiz Flávio Borges D´Urso, presidente da OAB paulista.Os servidores pararam em 30 de junho. Eles reivindicavam 39% a título de reposição da inflação nos últimos dois anos. O Tribunal de Justiça chegou a oferecer 26%, mas recuou quando o Palácio dos Bandeirantes avisou que não havia recursos disponíveis para cobrir o desembolso. O governo liberou R$ 76 milhões. Esse montante, de acordo com o TJ, dá para conceder um reajuste de 14,58%.Os funcionários estão dispostos a aceitar, mas não admitem punições anunciadas pelo tribunal - desconto em folha dos dias sem produção e abertura de processo administrativo que poderá leva-los à demissão por "abandono de trabalho".Segundo D´Urso, o ato "não pretende diagnosticar culpados, mas tornar público o caos pelo qual passa a Justiça em decorrência da greve". São mais de 12 milhões de processos parados, 1,2 milhão de novos processos represados na distribuição dos fóruns, cerca de 450 mil audiências que deixaram de ser realizadas em todo o Estado.Os advogados calculam que a fila de espera para pôr a pauta em dia vai chegar a 3 anos. "O prejuízo é irrecuperável", destaca o desembargador Celso Limongi, presidente da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis). "Apesar de os servidores terem razão pela necessidade de reposição salarial, a greve é ilegal."Limongi acredita na existência de "interesses políticos de servidores que são candidatos nas eleições de associações". O presidente da Apamagis atribui a isso o que chama de "radicalização do movimento". Ronaldo Cumbara, oficial de Justiça que integra o comando de greve, nega a politização. "O movimento é suprapartidário", disse Cumbara, filiado ao PSDB.O presidente do TJ, Luiz Tâmbara, anunciou "medidas drásticas, enérgicas" contra os grevistas. Ele mandou publicar comunicado por meio do qual determina a todos os juízes que instaurem procedimentos disciplinares contra "os servidores faltosos". Tâmbara ressaltou que o gasto mensal com a folha dos funcionários é de R$ 144 milhões. Com o reajuste de 14,58% a despesa chegará a R$ 160 milhões.O governador Geraldo Alckmin reiterou que confia no presidente do TJ e que medidas serão tomadas para garantir o atendimento à população. "Esse é assunto do presidente do TJ, não posso (intervir). Seria uma intromissão indevida", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.