Sobrevivente relata acidente com avião no Acre

"Só vi quando um relâmpago forte clareou a chuva", conta Luis Wanderlei da Silva, um dos oito sobreviventes da queda do avião Brasília, da Ricco Linhas Aéreas, ocorrido na sexta-feira a cerca de oito quilômetros de Rio Branco. Outros sobreviventes também viram um raio e sentiram uma rajada de vento atingir o avião ao fazer a aproximação de pouso. Comerciante em Cruzeiro do Sul (700 quilômetros de Rio Branco), Luis Wanderlei perdeu o sentido após o relâmpago. "Não vi mais nada", disse ele. "Só fui acordar com o pessoal gritando: "Tem gente aqui, tem gente aqui". Seu colega de quarto no Pronto Socorro de Rio Branco é o técnico em ar condicionado Antonio Napoleão de Oliveira, que embarcou na escala que o Brasília fez em Tarauacá. Ele foi o primeiro a ser retirado das ferragens junto com a funcionária pública Geane Lima, 19, grávida de sete meses, que morreu na madrugada de sábado. Wanderlei e Napoleão querem ser transferidos para um hospital particular, onde o acesso de familiares e visitantes é menos rigoroso. "Mas o atendimento aqui tem sido muito bom", dizem.A médica Célia Rocha e o comerciante João Célio Gonçalves Gaspar, o Garapa, candidato a deputado estadual pelo PPB, foram removidos ontem para São Paulo, em estado grave. O Brasília arrastou-se por mais de 300 metros em um pasto do ramal Chapada, matando oito bois e um cavalo. Um palanque de cerca cravou no bico do avião atingindo diretamente os tripulantes. Bombeiros dizem que corpos foram arremessados a 200 metros do ponto de impacto. ComoçãoO governo do Estado e as prefeituras de Rio Branco Cruzeiro do Sul decretaram luto oficial por três dias. Algumas famílias decidiram realizar um velório coletivo com nove vítimas. Os corpos do deputado federal Ildefonço Cordeiro e de sua mulher Arlete foram sepultados em Cruzeiro do Sul, base eleitoral da família. Segundo a PM, mais de 10 mil pessoas acompanharam o cortejo. Os diretores da Ricco reafirmaram ontem que a prioridade da empresa é o conforto das famílias, e que o mal tempo provocou o acidente. O Departamento de Aviação Civil (DAC) deve divulgar em 15 dias um laudo preliminar do acidente.

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