Sobrevivente de massacre diz ter sido ameaçado

Mais um sobrevivente do massacre do Carandiru foi ouvido, nesta tarde, no julgamento do coronel Ubiratan Guimarães, que comandou a operação da Polícia mIlitar que causou a morte de 111 detentos. O preso Paulo Roberto Oliveira Bororó, condenado a 20 anos e dois meses por latrocínio, disse ter sido ameaçado há alguns dias por um PM, que teria entrado no Fórum. O policial teria mostrado uma fotografia do Carandiru e dito: "Olha pra mim de novo, macaco, que eu dou um tiro em você". A juíza Maria Cristina Cotrofe interrompeu a sessão por cinco minutos para conversar com a promotoria e o advogado de defesa. Antes, ela explicou que o incidente havia ocorrido no primeiro dia do julgamento, e que determinou a abertura de sindicância e o isolamento da área onde estava os presos que iriam depor. Em seguida, a juíza disse que o incidente não deveria ser levado em conta nos autos do julgamento, pois a ameaça não foi comprovada. No mesmo depoimento, mas alguns minutos antes, o promotor Felipe Locke Cavalcanti e o advogado Vicente Cascione discutiram. Cascione estava fazendo perguntas a Bororó, citando trechos de um depoimento anterior do preso. Cavalcanti reclamou que o advogado deixou de ler a frase inteira, "talvez por equívoco". Foi o suficiente para as partes começarem a discutir rispidamente. "Se o senhor quiser ler uma frase, leia inteira", disse o promotor. "Leio o que eu quiser. Não interrompi o senhor, tenha o mesmo tratamento comigo", respondeu o advogado. A juíza considerou o trecho irrelevante e o questionamento prosseguiu até a suspensão, por cinco minutos. Uma hora depois do depoimento, outro sobrevivente, o preso Luiz Alexandre de Freitas, foi ouvido. Logo no começo a juíza perguntou se ele estava nervoso, obtendo resposta afirmativa. "Quero que tudo dê certo", disse.

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