Sobrevivente de chacina volta ao Rio

Escoltado por policiais civis, o sobrevivente da chacina da Candelária Wagner dos Santos, de 30 anos, chegou ao Rio - após quatro anos na Suíça - e disse que ainda tem medo de ser morto nas ruas da cidade. A declaração foi dada em entrevista coletiva no prédio da Secretaria da Segurança Pública. "Aqui dentro eu não tenho medo, mas lá fora, sim. Ando espantado, acuado." Segundo ele, a polícia do Rio "coloca pânico nas pessoas, em vez de proteger". "Não digo todos os policiais, mas de maneira geral é uma degradação, é vergonhoso", analisou. Santos veio ao Brasil para providenciar a documentação necessária para obter uma indenização do governo estadual - ele tirou sua primeira carteira de identidade. Atualmente, trabalha no setor de construção civil, na Suíça, e recebe benefícios como seguro-saúde do governo daquele país. "Do Brasil, eu guardo o que anda comigo, as lembranças e as seqüelas", disse o sobrevivente da chacina, ocorrida em julho de 1993, na qual oito jovens foram mortos. Santos tem uma bala alojada na medula, que provocou paralisia parcial de seu rosto. "Sinto falta dos amigos, da família", disse ele, que viu pela primeira vez a sobrinha de quatro anos e pôde reencontrar suas três irmãs. "Voltar de vez para o Brasil só no pensamento. É a terra que nasci, mas não vou ter oportunidade. A informação que chega lá fora é só de violência. Se conformar com isso é difícil." Santos chegou de manhã no Aeroporto Internacional e foi levado por policiais diretamente para a Secretaria da Segurança. No fim da tarde, seria recebido pelo governador Anthony Garotinho (PSB). "O mais difícil até hoje não foi ter que sair do País depois de dois atentados contra ele, mas sim conseguir que o Estado reconhecesse sua responsabilidade civil", disse a advogada de Santos, Cristina Leonardo. O sobrevivente da chacina receberá do governo a quantia de R$ 3.201,67 - como estabelece a Lei 3.421, aprovada pela Assembléia Legislativa -, referente ao período de 6 de outubro de 2000 (data do decreto do governador) a 31 de julho de 2001. A partir deste mês, ele vai receber todo mês uma pensão vitalícia de dois salários mínimos.

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