Sobre vaias, FHC diz que Lula precisa ter mais 'humildade'

Para ex-presidente, vaias indicam 'necessidade de uma auto-avaliação do chefe de governo'

Anne Warth, da Agência Estado,

16 de julho de 2007 | 17h14

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta segunda-feira, 16, que as vaias direcionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a abertura dos Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, na última sexta-feira, indicam a necessidade de uma auto-avaliação por parte do chefe do governo. FHC afirmou ainda que Lula precisa ter mais humildade, e não deve ser arrogante.  Lula confessa ter ficado triste com vaias Para oposição, vaia a Lula foi 'aviso' Lula fala sobre vaia no Maracanã "A gente sempre tem que estar se auto-avaliando, isso é importante em qualquer momento. Acho que o presidente Lula precisa ter, como eu, como todos nós, um olhar, talvez: 'será que eu sou tão bom quanto eu estou dizendo que sou?'", sugeriu o ex-presidente, após proferir palestra no evento O legado de Franco Montoro, na sede do Memorial da América Latina, em São Paulo. "Talvez um pouco de humildade ajude", completou. Nesta segunda, no programa Café com o Presidente, Lula diz ter ficado triste com a manifestação do público no Maracanã: "Na minha vida política, a vaia e o aplauso são dois momentos de reação do ser humano. A única coisa que eu, particularmente, fico triste é que eu fui preparado para uma festa. É como se eu fosse convidado para o aniversário de um amigo meu, chegasse lá e encontrasse um grupo de pessoas que não queria a minha presença lá". Depois das vaias no Maracanã, Lula desistiu de declarar aberto os jogos, como estava planejado, sem maiores explicações. A declaração foi feita pelo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Nuzman. Ele foi vaiado ao menos cinco vezes quando seu nome foi anunciado. Segundo um assessor de Lula, ele teria classificado a manifestação como "molecagem", e , muito irritado, teria dito: "Eu não tenho medo de vaia."  Fernando Henrique disse ainda não acreditar que as vaias tenham vindo de um grupo organizado, mas declarou que "seguramente os que estavam lá não estão muito felizes com o que está acontecendo". O ex-presidente ponderou, entretanto, que tanto as vaias quanto o aplausos fazem parte da vida pública e que nem sempre possuem um significado "transcendente". "Vida pública é assim mesmo. Há momentos em que você tem vaia, há momentos que você tem aplauso", considerou. "O que é até bom, porque quem é líder precisa perceber que sempre tem o planalto e a planície, que tem pontos de vista diferentes", citou. E finalizou: "E vai ser sempre assim. A gente tem que se habituar democraticamente a não ser arrogante".   

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