Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Sobre sua segurança, Bretas diz que segue esquema 'à risca' e está 'preparado'

Juiz titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e responsável por condenações do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) afirma não ser 'ingênuo de achar que nada vai acontecer' com ele

O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2018 | 22h54

RIO – O juiz Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e responsável por condenações do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) e de outros integrantes do esquema de corrupção que se instalou no Estado do Rio, afirmou que cumpre “à risca” um esquema de segurança e que não é “ingênuo de achar que nada vai me acontecer”.

Ele fez a declaração durante entrevista à jornalista Miriam Leitão, em programa exibido na noite desta quinta-feira, 4, pela emissora de TV Globonews.

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“Fiz um preparo técnico, em lugar oficial e com instrutores oficiais. Não estava em horário de trabalho, então ali era o Marcelo Bretas. Eu estou preparado, mas não posso dizer que queria mandar recado a alguém”, afirmou, ao comentar uma foto divulgada pelas redes sociais em que aparece empunhando um fuzil em um estande de tiro

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“O que posso dizer é que estou me preparando. Não sou ingênuo de achar que nada vai me acontecer. Tem pessoas que criticam, ‘mas juiz com arma?’ Nós vivemos no Brasil, no Rio de Janeiro, onde os índices de violência são realmente graves”, continuou.

Bretas se esquivou de comentar eventuais ameaças que tenha recebido. “Eu não posso comentar (se já fui ameaçado). Apesar de afirmarem por aí que eu estou dizendo, eu nunca disse isso, (nunca) saí dizendo que estou sendo ameaçado. O que eu confirmo é que existe um esquema de segurança no qual eu cumpro à risca as determinações”, completou.

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O magistrado afirmou que os processos relativos ao esquema de corrupção liderado por  Cabral ainda estão longe do fim e vão se estender por todo este ano.

O juiz federal defendeu a manutenção da prisão após condenação em segunda instância, que pode ser revogada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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“(A revogação) seria uma derrota muito grande para o combate à corrupção como um todo, porque a Justiça tem de ser temida. É necessário que as pessoas tenham medo: ‘se eu fizer alguma coisa errada eu posso ser preso, ser condenado’. É preciso que exista esse temor pela Justiça”, afirmou. 

Para ele, a possibilidade de alguém se manter fora da cadeia enquanto recorre além da segunda instância gera uma sensação de impunidade.

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Na avaliação de Bretas, a suspensão das conduções coercitivas, determinada pelo ministro do STF Gilmar Mendes, não representa um problema para o combate à corrupção. “Não há necessidade de mistificar isso”, afirmou. O juiz contou que já intimou pessoas para comparecer e prestar depoimento no mesmo dia, o que seria uma alternativa à condução coercitiva, já que da mesma forma dificulta que a pessoa intimada combine previamente com terceiros o conteúdo de seu depoimento.

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