Celio Messias/AE
Celio Messias/AE

Sobre pesquisa, Dilma diz que não 'sobe em salto alto'

Ministra comentou cartilha da AGU e disse que não descarta participar de inaugurações após deixar o governo

Brás Henrique, enviado especial

17 de março de 2010 | 15h24

A pré-candidata do PT, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), relativizou os resultados da última pesquisa CNI/Ibope, que mostrou uma diminuição de cinco pontos porcentuais nas intenções de votos em relação a seu principal rival, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

 

"Vou repetir o que repito a horas: a pesquisa é retrato do momento", disse Dilma, durante passagem por Monte Alegre de Minas, no Triângulo Mineiro. "Estamos em março, a eleição é em outubro, e ninguém sobe de salto alto", emendou ela, enfatizando que terá que se dedicar na campanha. "(Estamos) avaliando que é só o momento, e que a eleição ainda tem muito caminho pra gente andar."

 

Segundo a pesquisa do Ibope, divulgada nesta quarta-feira, 17, Serra aparece com 35% das intenções de voto, contra 30% de Dilma.O curto comentário encerrou a rápida entrevista coletiva em Monte Alegre de Minas, onde Dilma discursou por cerca de 30 minutos para pelo menos 2 mil pessoas, num palanque montado no pátio do posto de combustíveis Trevão de Monte Alegre.

 

A ministra, que inaugurou obras e assinou convênios com prefeituras de dezenas de cidades mineiras, também não deixou claro se irá ou não participar de eventos ou inaugurações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após deixar o cargo na Casa Civil. A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou cartilha, na terça-feira, 16, indicando que Dilma só não poderá participar de eventos a partir da oficialização de sua candidatura, em 5 de julho.

 

"Nós achamos que a relação, a partir da minha saída, é mais o presidente indo nas minhas atividades, nas atividades de campanha como militante que ele é", argumentou Dilma. "Não estamos dando muito destaque e ênfase a isso." Para a ministra, a cartilha da AGU indica que estaria sob o "ponto de vista legal", mas deixou a entender que terá muito trabalho durante a pré-campanha à presidência. Não garantiu que não participará de qualquer inauguração oficial do governo, mas também não desconsiderou essa hipótese. "Não te digo isso (não participar de inaugurações oficiais), porque posso participar, mas não é essa a atividade central", enfatizou Dilma.

 

Mineira

 

Sobre a disputa estadual em Minas Gerais, se sua candidatura pelo PT terá um ou dois palanques, a ministra afirmou que é favorável à união, não citando nomes ou preferências. "Somos a favor da unidade e acho que essa questão da unidade não é uma coisa de impõe, se constrói", disse ela. Dilma se disse favorável à união dos palanques em Minas, mas ainda destacou que "não controlamos a realidade completamente". Ela não quis fazer qualquer prognóstico sobre o assunto. "(Vamos) olhar na hora, não se antecipa à pior situação..., temos que ser otimistas", finalizou a ministra.

 

Em seu discurso no palanque, que tinha representantes de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, Dilma Rousseff lembrou que nasceu em Minas Gerais, em Belo Horizonte, de onde saiu em 1969, com cerca de 22 anos. Citou que depois passou fase importante no Rio Grande do Sul, onde teve uma filha e que por lá trabalhou no governo estadual até ser chamada pelo presidente Lula. "Ninguém pode tirar minha condição, minha forma de ser, pois nasci e me criei em Minas Gerais", disse ela. "Então sou um misto", emendou. Destacou que, ao chegar no aeroporto de Itumbiara (GO), pela manhã, onde recebeu rápida homenagem de autoridades locais, usou a expressão "barbaridade, sô!", usando sua "dupla nacionalidade", gaúcha e mineira, aos políticos mineiros que a recepcionaram. "Saí de Minas Gerais, mas Minas Gerais não saiu do meu coração", finalizou Dilma.

 

A visita também marcou o início da duplicação de aproximadamente 80 quilômetros da BR-365, entre Monte Alegre de Minas e Uberlândia, entre outras. Também foram assinados 253 convênios em 75 municípios do Triângulo Mineiro e lançamentos de cerca de duas mil moradias do programa Minha Casa Minha Vida na região. Depois, Dilma seguiu para cumprir agenda em Uberaba (MG).

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