Sobra não é suficiente para cobrir os juros

Por isso, União tem superávit primário e déficit nominal

Sérgio Gobetti, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

14 de julho de 2008 | 00h00

O superávit primário é popularmente conhecido como a economia de recursos que o governo federal obtém para pagar (ou deixar reservado para pagar algum dia) os juros da dívida pública.Em outras palavras, o superávit primário é calculado com base na diferença entre todas as receitas e despesas do governo federal, com exceção daquelas que tenham origem financeira. Geralmente, essa sobra de receitas da União não é suficiente para cobrir o montante de juros. Por esse motivo, se diz que o governo federal tem superávit primário e, ao mesmo tempo, déficit nominal.EXEMPLOPara se ter uma idéia, é como uma família que deve ao banco uma determinada quantia que foi tomada emprestada para comprar sua casa.Os juros sobre o valor principal da dívida podem ser maiores do que a economia realizada mensalmente pela família.Nesse caso, por mais que a família economize os rendimentos que recebe do trabalho, a dívida continua crescendo.O detalhe interessante é que, no caso do governo, a economia do superávit nem sequer é utilizada integralmente para pagar os juros e reduzir a dívida parcialmente.Isso ocorre por dois motivos: o primeiro é porque parte das receitas que são economizadas é vinculada a outras finalidades e não pode ser gasta, mas apenas ficar parada no caixa federal.Em segundo lugar, porque a redução dos títulos públicos em circulação faria a economia ficar com mais dinheiro em circulação e poderia pressionar a inflação para cima.PARADOPara evitar que isso ocorra, tanto o Tesouro Nacional quanto o Banco Central preferem ficar com boa parte do dinheiro do superávit primário parado no caixa.Isso significa que o governo federal não gasta o dinheiro e também não o devolve para o setor privado. Em vez disso, a União oferece juros mais altos para que o empresário prefira investimentos em títulos públicos, em vez de investir na produção.

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