Sobra médico no centro e falta na periferia de São Paulo

Há médicos demais no Estado de São Paulo, o que não garante que os paulistas tenham boa assistência à saúde. O diagnóstico é de um levantamento do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Mesmo com um médico para cada 264 habitantes na capital paulista, persiste a falta de profissionais na periferia.A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda como proporção ideal para os sistemas de saúde um médico para cada mil habitantes. A cidade de São Paulo tem quase quatro vezes mais médicos do que o recomendado. No interior do Estado, há um médico para cada 650 habitantes. "O problema não é falta de médico, mas má distribuição deles", diz Regina Parizi, presidente do Cremesp. "Na periferia, faltam também serviços de saúde."O sistema público de saúde da capital é marcado por uma desigualdade: enquanto o atendimento funciona bem nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) dos bairros centrais, faltam médicos nos postos de regiões mais distantes. Um dos principais motivos para isso é a distância que o profissional, em geral oriundo de famílias de classe média, tem de percorrer diariamente - além da baixa remuneração oferecida pelo serviço público.A conclusão do dossiê do Cremesp é de que não adianta formar mais médicos, sem levar em consideração as necessidades sociais. "Não é abertura de faculdade de medicina que aumenta acesso da população aos serviços de saúde", explica Regina.

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