Soberania para PF cria tensão, afirma Tarso

O ministro Tarso Genro, da Justiça, disse ontem que se a Polícia Federal se tornar uma instituição soberana e separada dos demais poderes o País poderá passar pelo risco de ter "um Estado com forte tensão policial, que não é o desejo de ninguém". Ele repudiou a sugestão do delegado Protógenes Queiroz, chefe da Operação Satiagraha, que pediu mais independência para a corporação. "A PF já tem autonomia legal para realizar o seu trabalho sem interferência do poder político imediato.""É uma polícia de Estado", insistiu Tarso. "Se eventualmente essa formação que ele (Protógenes) sugere quer dizer soberania da PF em relação aos demais poderes isso não é aceitável porque romperia com a tripartição de poderes determinada na Constituição. A PF tem que cada vez mais conquistar autonomia do poder político contigente para fazer bem o seu trabalho."Tarso rejeitou antiga aspiração dos delegados federais pela prerrogativa da inamovibilidade, conforme proposta de emenda à Constituição - o que os colocaria em igualdade de condições a procuradores e magistrados, detentores de tal proteção. "A PF tem o seu diretor nomeado pelo Ministério da Justiça, que o faz com anuência do presidente da República", declarou.Ele cobrou aprovação da nova lei do grampo, no Congresso há 6 meses. "Se já tivesse sido votada essa questão não estaria presente hoje na cena pública brasileira. Tudo o que apareceu de problema estaria sanado."Assegurou que o Guardião, supergrampo da PF, é rigorosamente controlado e à prova de bisbilhotices, mas ressaltou. "Essa atividade (escuta telefônica) deve ser muito bem regulada. O sistema tem que ser usado de fora para dentro, o cidadão controla o Estado e não o Estado controla a cidadania. A nova lei do grampo ajuda muito inclusive a reduzir a margem de arbítrio da investigação."

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