Sob tumulto, presidente da OAB protocola novo pedido de impeachment contra Dilma

'A OAB se manifesta de forma técnica e é isso que foi feito aqui hoje', disse Claudio Lamachia; documento não foi entregue a Eduardo Cunha porque a entidade defende o afastamento do presidente da Câmara

Daniel Carvalho e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2016 | 18h20

Brasília – Em meio a um tumulto generalizando na Câmara dos Deputados, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, protocolou na tarde desta segunda-feira, 28, um novo pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Manifestantes contrários e favoráveis ao impeachment trocaram provocações e xingamentos no Salão Verde da Câmara. Do lado de fora, houve agressões. Lamachia e outros integrantes da OAB precisaram ser escoltados pela Polícia Legislativa. Pessoas que defendiam o impeachment e membros da Ordem fizeram um cordão de isolamento em torno dos autores do requerimento.

Com o tumulto no protocolo, o pedido foi apresentado à Secretaria-Geral da Mesa. No requerimento da OAB, a entidade incluiu como justificativas o conteúdo da delação premiada do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS), as chamadas "pedaladas fiscais", as renúncias fiscais em favor da Fifa na Copa de 2014 e a tentativa de nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como chefe da Casa Civil.

“Não é mais possível que o Brasil conviva com este tipo de manifestação. A OAB não se manifesta de acordo com as paixões políticas e partidárias. A OAB se manifesta de forma técnica e é isso que foi feito aqui hoje”, afirmou Lamachia, que foi carregado nos braços por advogados ao deixar a Câmara.

O presidente da OAB disse que não entregou o pedido ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por entender que ele precisa ser afastado. Cunha é réu na Lava Jato e, segundo, Lamachia a Ordem entende que ele não tem mais legitimidade para se manter no cargo. “Não encontrei o presidente Cunha. Tenho uma posição, que é da instituição Ordem dos Advogados do Brasil, no que diz respeito à legitimidade do presidente da Câmara dos Deputados. Entendemos que o presidente da Câmara dos Deputados tem que se afastar da Câmara e, por não reconhecer a legitimidade dele, entregamos esta peça (o requerimento) no protocolo”, afirmou.

Agressões. Na saída do Congresso, o estudante Rodrigo Almeida, de 22 anos, discutiu com um advogado que não foi identificado. Os dois se empurraram e Rodrigo deu um chute nas costas do advogado. O grupo que estava com o advogado partiu para cima de Rodrigo, e deram chutes na cabeça do estudante. A polícia não interveio e a briga foi apartada pelos próprios manifestantes. Não há informações sobre o estado de saúde dos envolvidos no confronto.

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