Sob suspeita, Perillo pede para ser investigado pelo MP

Colocado sob suspeita pelas investigações da Polícia Federal na Operação Monte Carlo, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), pediu nesta quinta ao Ministério Público que seja aberto um inquérito contra ele. O advogado de Perillo, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que seu cliente está sendo alvo de vazamentos direcionados de escutas telefônicas feitas com autorização judicial. E pediu que a investigação seja fiscalizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde governadores de Estado são julgados.

FELIPE RECONDO, Agência Estado

26 de abril de 2012 | 18h10

"Lamentavelmente, para a imprensa são sempre vazados resumos distorcidos de diálogos, sem que o contexto das conversas seja explicitado para os nobres jornalistas. A imprensa e todo País ficam na dependência da figura do tira hermeneuta, aquele policial que se dá o direito de fazer interpretações dos grampos conforme seu bel-prazer", afirmou no pedido protocolado nesta quinta na Procuradoria-Geral da República.

"Em meio a essa avalanche de escândalos e a essa triste tentativa de se instrumentalizar o Estado a serviço de interesses escusos, de vazamentos criminoso de informações e dessa manipulação grotesca de informações, o requerente se posta serenamente e humildemente na condição de investigado, disposto a esclarecer tudo que esteja a seu alcance e, assim, afastar toda e qualquer suspeita que paire sobre si", disse o advogado de Perillo.

Na análise que fez do inquérito até agora, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse não ter encontrado indícios suficientes para abrir uma investigação específica contra o governador de Goiás. Por intermédio de sua assessoria, o procurador afirmou que não precisa de provocação da defesa do governador para decidir se investigará ou não o suposto envolvimento de Perillo.

Gravações telefônicas realizadas pela PF no dia 10 de junho de 2011 flagraram o contador do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Geovani Pereira da Silva, informando ao chefe que estava enviando, por intermédio de assessores, uma caixa de computador "com aquele negócio" para ser entregue no Palácio das Esmeraldas, sede do Executivo local.

O "negócio" mencionado na conversa seria dinheiro, conforme relatório da PF intitulado "Entrega de dinheiro no Palácio do Governo de Goiás". No texto, os investigadores afirmam ser preciso cruzar as informações coletadas com os dados da movimentação financeira da quadrilha.

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