ED FERREIRA/ESTADAO
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Sob suspeita, Cunha vai a CPI e é alvo de elogios dos colegas

Presidente da Câmara aparece voluntariamente na comissão que apura desvios na Petrobrás e vê depoimento virar desagravo

Daniel Carvalho, Daiene Cardoso e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2015 | 22h02

Brasília - A lista pluripartidária de investigados sob suspeita de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobrás garantiu nesta quinta-feira, 12, ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), uma sessão de desagravos durante o depoimento que prestou voluntariamente à CPI da estatal aberta este ano na Casa. 

Cunha recebeu elogios ao longo de quatro horas e meia por praticamente todos os partidos, inclusive os que têm correligionários na lista entregue pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal. 

Caso de PT, PMDB, PP, PSDB e PSB. Nesse sentido, a estratégia ficou clara: mais do que blindar o presidente da Câmara, a ideia nesta quinta era proteger os seus próprios quadros, uma vez que há a possibilidade de que a CPI aprove os requerimentos de convocação de todos os políticos suspeitos. 


Eduardo Cunha leu a petição da Procuradoria-Geral da República e apontou o que considera “fragilidades”. Diante de ao menos cem deputados, voltou a acusar Janot de adotar critério político, junto com o Planalto, para pedir investigação contra ele. “Colocar (meu nome na lista) de uma forma irresponsável e leviana, por escolha política na colocação de alguém para investigação, é criar um constrangimento para transferir a crise do outro lado da rua (Planalto) para cá (Congresso) e nós não vamos aceitar”, afirmou. 

Cunha é citado nos depoimentos do doleiro Alberto Youssef e pelo “carregador de malas de dinheiro”, Jayme Alves de Oliveira Filho, policial conhecido como Careca. O doleiro disse em delação premiada que Cunha se beneficiou da divisão de propina obtida a partir de contrato feito entre a Petrobrás e empresas privadas para aluguel de navios-plataforma. Já Careca, disse ter levado dinheiro a uma casa que seria de Cunha, mas depois voltou atrás em seu depoimento. 

‘Felicitações’. Até petistas, em conflito aberto com o PMDB nas últimas semanas, saíram em defesa de Cunha. “Neste momento, compreendo perfeitamente que não há nenhum fato que relacione o nome dele a esta lista”, disse o líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC). “Vossa excelência indicou que, ao final deste procedimento, teremos a convicção mais plena da inadequação de seu nome estar nessa lista”, afirmou Maria do Rosário (RS), ressalvando não acreditar em “politização” por parte de Janot, que não quis comentar as críticas. 

Representantes de outros partidos com membros investigados saíram em defesa de Cunha. “Presidente, a nossa solidariedade a você e a todos os demais parlamentares que estão nesta mesma condição”, afirmou Ricardo Barros (PP-PR). “(O senhor) põe esta Casa de pé”, disse Paulinho da Força (SD-SP). “Vossa excelência é mais presidente hoje do que às vésperas dessa lista”, defendeu Bruno Araújo (PSDB-PE). Correligionário de Cunha, Lelo Coimbra (PMDB-ES) endossou o discurso de politização da PGR. “A questão da politização precisa ser esclarecida. Ela não pode contaminar o processo”, afirmou. 

Apenas Ivan Valente (PSOL-SP), Eliziane Gama (PPS-MA) e Clarissa Garotinho (PR-RJ), filha do ex-governador Anthony Garotinho (PR-RJ), desafeto de Eduardo Cunha, confrontaram de maneira enfática o presidente. Eles pediram a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico do peemedebista. Cunha disse que só faria isso se requisitado pela CPI. 

“Considero vergonhosa a reunião de hoje porque não cabe a nenhum parlamentar condenar, a priori, ninguém. Tão pouco, absolver. O que vi aqui foi uma reunião de felicitações, e achei eu que estava na reunião da CPI”, disse Clarissa Gartontinho. 

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