Sob protestos, PP deixa decisão sobre apoio a Dilma para cúpula do partido

Em votação marcada por vaias e gritos de 'vendido' por parte dos correligionários, legenda aprova resolução que permitirá à Executiva resolver se adere à campanha petista

Daiene Cardoso, Agência Estado

25 Junho 2014 | 13h37

Atualizado às 14h38

Brasília - Em uma votação rápida e sob protestos dos dissidentes, a ala do PP favorável à aliança com a presidente Dilma Rousseff aprovou, nesta quarta-feira, 25, resolução que delega à Comissão Executiva Nacional a definição sobre os rumos da sigla. O presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), deixou a convenção sob gritos de "vendido" dos convencionais que pregavam a proclamação da neutralidade do partido na eleição presidencial.

Na resolução, o PP libera os diretórios estaduais para fazerem coligações independentemente da composição na esfera nacional. O PP também autoriza que os diretórios regionais apoiem qualquer candidato à Presidência da República.

Parlamentares que pediam a neutralidade, no entanto, protestaram ao final da votação no auditório Petrônio Portella, no Senado, e dizem que a votação "relâmpago" não tem validade. Ciro Nogueira disse aos jornalistas que a Executiva Nacional deve se posicionar ainda nesta quarta sobre a aliança na sucessão presidencial.

Coube ao deputado federal e ex-ministro das Cidades Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) sair em defesa da manutenção da aliança. Diante de uma plateia hostil à proposta, Ribeiro disse que o partido não poderia assumir postura "oportunista" neste momento, uma vez que é titular de uma cadeira na Esplanada dos Ministérios. "Somos governo e vamos continuar governo", enfatizou.

Ribeiro reagiu a uma sequência de discursos pregando a neutralidade da legenda na eleição presidencial. O deputado Esperidião Amin (SC) chegou a declarar que o PP havia se posicionado de forma neutra nas últimas eleições e sugeriu que havia pressão sobre os líderes para que aliança fosse formalizada. "Alguém está querendo nos pegar pelo cangote?", questionou Amin.

O deputado catarinense destacou que a prioridade do partido é eleger governadores e fortalecer as bancadas no Congresso Nacional e que o apoio a Dilma obrigaria o PP a dar explicações públicas sobre a aliança e o fim da tradicional neutralidade.

Entre palmas e vaias, Aguinaldo rebateu os dissidentes e disse que o PP comanda o Ministério das Cidades há quase dez anos. Ele lembrou que entre os programas da pasta estão o Minha Casa, Minha Vida, as obras de mobilidade urbana e o Plano Nacional de Saneamento Básico. "Para mim a pior posição na vida é não ter posição: ou somos governo ou somos oposição", argumentou.

Nesta manhã, o PSD formalizou apoio à reeleição da presidente e, com a saída de César Borges do Ministério dos Transportes, integrantes da cúpula do PR também devem assegurar o apoio à petista - a mudança era uma exigência da sigla. Até o momento, além do PSD e do PT, confirmaram adesão à campanha de Dilma o PMDB, PDT e PROS.

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