Sob protestos, comissão põe Chávez no Mercosul

Mas protocolo ainda precisa ir ao plenário da Câmara e passar também por aprovação do Senado

Denise Madueño, O Estadao de S.Paulo

25 de outubro de 2007 | 00h00

A Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou ontem, numa sessão marcada por críticas à situação política da Venezuela, o protocolo de adesão do país vizinho ao Mercosul. Estavam presentes 16 deputados, o mínimo exigido para a votação. O DEM e o PSDB se retiraram da comissão, para tentar evitar a aprovação.O placar registrou 15 votos favoráveis e o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) se absteve. Francisco Rodrigues (DEM-RR) foi contra a orientação de seu partido. A proposta ainda será votada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de seguir para o plenário da Câmara. Depois de aprovada, vai para o Senado. Nas discussões, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi classificado de ditador, caudilho e golpista. Deputados que queriam adiar a votação argumentaram que não há democracia na Venezuela, um dos pressupostos exigidos para a entrada no Mercosul. A repressão a uma manifestação de estudantes contra a reforma constitucional, anteontem, em Caracas, foi mais um fato apresentado como exemplo da insegurança que o país poderá levar ao Mercosul. "Cinco mil estudantes foram agredidos pela polícia e pela milícia do Chávez. A Venezuela é uma ditadura. Isso pode contaminar o Mercosul. A pretensão de Chávez é contaminar a América Latina com seu movimento que de democrático nada tem. É mais um desejo de caudilho", disse Zenaldo Coutinho (PSDB-PA).Os deputados lembraram também das declarações de Chávez contra o Congresso brasileiro e da disposição declarada do venezuelano de intervir com armas na Bolívia, caso haja dificuldades políticas para o presidente Evo Morales."Em um só movimento, ampliou seu mandato para sete anos e conseguiu a reeleição", afirmou Gabeira. O petista Nilson Mourão (AC) discordou: "Chávez representa a expressão da maioria do povo."INTERESSE COMERCIALAlém do argumento político, os deputados levantaram questões técnicas. A Venezuela não cumpriu até agora todas as exigências para a entrada no Mercosul, como a fixação de um calendário para a adoção das normas e da Tarifa Externa Comum. "Não podemos atropelar o processo", argumentou o deputado Mendes Thame (PSDB-SP).Os governistas usaram o discurso do interesse comercial. "Em vez de tratar de assuntos internos da Venezuela, o que está em jogo é um grande mercado da América Latina com efeito concreto no desenvolvimento brasileiro", alegou o deputado Maurício Rands (PT-PE). "As relações dos países não se resumem às relações comerciais. O Brasil não foi reduzido ainda a uma grande empresa", reagiu Gabeira. Mais informações na pág. A15

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