Luis Macedo/Agência Câmara
Luis Macedo/Agência Câmara

Sob protestos, Arthur Lira é escolhido para presidir comissão da Câmara

Deputado do PP, acusado de agredir a mulher e apontado como possível investigado pela Lava Jato, assume a Comissão de Constituição e Justiça

DAIENE CARDOSO, O Estado de S. Paulo

04 de março de 2015 | 12h54

Atualizado às 14h48

Brasília - Com o protesto de 12 parlamentares que votaram em branco, o deputado Arthur Lira (PP-AL) foi escolhido para presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o colegiado mais importante da Câmara dos Deputados. Lira é apontado como um dos possíveis nomes da lista de políticos implicados na Operação Lava Jato e acusado de agredir a ex-mulher Jullyene Lins.

Na sessão que teve quórum final de 65 deputados, 47 votaram em Lira, que era candidato único. Os nomes dos deputados Esperidião Amin (PP-SC) e o líder da sigla, Eduardo da Fonte (PE), chegaram a ser cogitados para a função, mas não prosperaram. "Amin é um cara que mobilizaria, que aproximaria o Parlamento da sociedade. As atitudes do Parlamento só nos distancia da sociedade", concluiu um deputado de outro partido, que trabalhou até a manhã desta quarta-feira, 4, para garantir a candidatura do catarinense. Como o PP terá o comando da CCJ por dois anos, Amin poderá ser indicado para presidi-la em 2016.

O desconforto de parte dos parlamentares se deve ao possível envolvimento de Lira nas investigações sobre o esquema de corrupção na Petrobrás. Os deputados avaliam que a promessa do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de oferecer a CCJ a Lira - que foi um de seus apoiadores na campanha pela presidência da Câmara - depõe contra o Parlamento. "A sociedade vai achar que aqui é um poço de lama", comentou um deputado.

O novo presidente da CCJ afirmou que agirá com isenção e que colocará em votação, "doa a quem doer", eventuais recursos do Conselho de Ética de possíveis envolvidos na Lava Jato. "Quem vota é o plenário, não é o presidente", respondeu. Aos jornalistas, Lira disse esperar que seu nome não seja incluído na lista da Procuradoria-Geral da República (PGR) e que não há nenhum impeditivo à sua eleição. "Não tenho nenhum tipo de vínculo com essa situação (Lava Jato)", rebateu, ressaltando que não tem nenhum temor. "Tem que ter muita calma nessa hora", completou. Ele negou envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, embora imagens tenham revelado que o deputado frequentou em 2010 o mesmo prédio do doleiro.

Segundo a revista Veja, o deputado frequentava o escritório do doleiro, um dos principais alvos da Lava Jato. A publicação revelou imagens das câmeras de segurança do prédio em que Lira aparecia. O assunto tratado pelos dois, no entanto, não foi informado pela reportagem. O pai do deputado, o senador Benedito de Lira (PP-AL), foi citado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, no âmbito da delação premiada, como um dos políticos que receberam dinheiro do esquema de desvio na estatal.

O deputado também é acusado de agredir a ex-mulher. Ele nega e se diz vítima da ação de adversários políticos de Alagoas. "Não vou ser o primeiro e nem o último a ter problema conjugal", afirmou.

Outras comissões. Nesta manhã, outras 15 comissões temáticas foram instaladas além da CCJ. Na Comissão de Agricultura, foi confirmado o deputado Irajá Abreu (PSD-TO) no comando do colegiado. Irajá, que é filho da ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB-TO), recebeu 46 votos - quatro deputados votaram em branco.

Tomou posse na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle o petista Vicente Cândido (SP), que presidiu a CCJ até o ano passado. Cândido foi eleito com 14 votos - um em branco. A Comissão de Relações Exteriores será presidida por Jô Moraes (PCdoB-MG).

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