Eraldo Peres|AP Photo
Eraldo Peres|AP Photo

Sob polêmica, EBC anuncia que entrevista com Dilma vai ao ar nesta quinta

Representante dos funcionários disse que veiculação é 'uma afronta'; entrevista foi feita após o jornalista Ricardo Melo voltar ao comando da estatal por determinação do STF

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2016 | 12h18

BRASÍLIA - Em mais um capítulo na disputa entre a administração petista e a peemedebista, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) anunciou que apresentará entrevista com a presidente afastada Dilma Rousseff na TV Brasil, nesta quinta-feira, às 22 horas. A entrevista foi gravada no domingo, 5, por determinação de Ricardo Melo, que retornou à empresa por força de uma liminar do ministro Dias Tofolli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que destituiu Laerte Rimoli, nomeado pelo presidente em exercício Michel Temer na sua primeira semana de governo. 

Para justificar a transmissão da entrevista, a EBC informou que ela está sendo divulgada em parceria com a Rede Minas, que se interessou pelo material. Explicou ainda que a empresa já estava em busca desta parceria, que agora foi concretizada. Em nota, a EBC informa que a entrevista se insere "no esforço" da empresa "para produzir um jornalismo com equilíbrio editorial e pluralidade de pontos de vista". 

Acrescenta ainda que "com esse objetivo, a EBC encaminhou solicitação de entrevistas, no mesmo formato, ao presidente da República interino, Michel Temer, ao presidente do Senado, Renan Calheiros, e ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski".

A divulgação da entrevista já foi questionada no Conselho de administração da empresa pelo representante dos funcionários, Edvaldo Cuaio. Ele considera "uma afronta" e uma "indignidade" a iniciativa e lembra que o jornalista Luiz Nassif, que fez a entrevista, está com contrato suspenso pela empresa, que pagou as despesas dele para vir a Brasília fazer a gravação.

No Palácio, esta nova polêmica com a EBC reacende a insatisfação com ao advogado-geral da União, Fábio Osório, que adotou estratégia considerada "errada e ineficiente" em relação ao mandado de segurança impetrado por Ricardo Melo, no STF. O Planalto entendia que a AGU deveria ter agido previamente, de forma mais incisiva, para tentar evitar a concessão da liminar e também "evitar que o estrago que está se verificando agora acontecesse". 

A AGU alegou que apresentou "informações iniciais" pedidas pelo STF, assegurando que "a exoneração de Melo é legal" e que ainda apresentará a defesa quando o prazo for aberto. A irritação com a conduta de Osório foi tão grande que o próprio ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, foi ao STF conversar com Toffoli pessoalmente para levar os argumentos do governo, depois que a liminar havia sido concedida.

O governo Temer está denunciando uma série de desmandos na empresa e o rombo nas contas que ultrapassa  os R$ 94 milhões. Alega ainda que a programação da emissora estava voltada "para atender a um partido, o PT, seus interesses e ideologias, e não aos interesses do País". Rebate ainda justificativa de que a transmissão da entrevista de Dilma seja para promover "equilíbrio editorial e pluralidade" que nunca foram vistos na empresa durante a administração petista.

 

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