Sob Lula, um chanceler polêmico e uma diplomacia de esquerda

Perfil de Celso Amorim, novo ministro da Defesa

João Domingos, de O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - Patrocinador de uma política externa ideológica com foco em países periféricos e filiado ao PT por inspiração do ex-presidente Lula, Celso Amorim colecionou polêmicas à frente das Relações Exteriores. No caso mais notório, meteu-se na questão nuclear do Irã, atraindo a censura dos países mais ricos.

 

Ministro dos governos Itamar Franco (1992-94) e Lula (2003-10), o embaixador foi responsável pelo direcionamento da política externa brasileira ao Oriente Médio, à América do Sul, à África e a demais nações emergentes. Também estreitou laços diplomáticos com Cuba, Síria, Líbia e Irã.

 

Amorim liderou o boicote dos países da Organização dos Estados Americanos (OEA) ao governo de Roberto Michelletti, que assumiu a presidência de Honduras em 2009, depois de um golpe militar que derrubou o presidente eleito Manuel Zelaya. Como resultado das negociações de Amorim, a OEA excluiu Honduras do grupo de países americanos.

 

Ao mesmo tempo, liderou um movimento de ajuda a países pobres na luta contra a fome. Foi importante articulador na formulação de grupos como o G-20, na frente multilateral contra o protecionismo comercial dos EUA e da Europa e na tentativa de reformular a Organização das Nações Unidas.

 

Durante sua gestão, o Brasil enfrentou algumas crises com seus vizinhos, como a Bolívia e o Equador. Em 2006, o presidente boliviano Evo Morales anunciou a nacionalização do gás e do petróleo. O exército do vizinho ocupou as empresas estrangeiras, entre elas a Petrobrás, que explorava os dois principais campos de gás. Amorim chegou a dizer que a nacionalização já era esperada, o que foi criticado no Brasil.

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