Sob investigação, MTA pede autorização da Anac para viajar a Miami

A MTA está no centro da crise que derrubou Erenice Guerra da Casa Civil

Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2010 | 18h19

BRASÍLIA - Sob investigação da Polícia Federal, a Master Top Linhas Aéreas (MTA) pediu oficialmente à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) autorização para fazer voos extras para Miami. A cidade dos EUA é sede do grupo Centurion, do empresário argentino Alfonso Rey, dono oculto da MTA, e que, na prática, aluga os aviões para a empresa funcionar no Brasil e fazer transporte de carga para os Correios.

 

A MTA está no centro da crise que derrubou Erenice Guerra da Casa Civil. Um filho dela, Israel, fez lobby e cobrou propina para ajudar a empresa dentro do governo. A empresa MTA não vem cumprindo os contratos milionários com os Correios e caminha para fechar as portas. Na terça, um dia antes do pedido da Anac, o Estado revelou que a empresa, sem dinheiro para abastecer os aviões, vem procurando fornecedores para fazer acordos. O argentino Alfonso Rey também já havia sinalizado que, se não houver melhora nos negócios com os Correios, pretende retirar os aviões do Brasil. São pelos menos quatro aeronaves "alugadas" por ele à MTA, segundo os contratos de leasing revelados pelo Estado em setembro.

 

O pedido feito à Anac pode ser o primeiro passo para que a MTA consiga retirar as aeronaves do País. Oficialmente, a empresa tem o aval para fazer dois voos regulares de ida-e-volta para Miami por semana, com datas e plano de voo determinados para retorno. Agora, a empresa pede autorização para realizar 30 voos em três meses, o que abre possibilidade de levar as quatro aeronaves com prazo mais flexível para suposta volta ao País. Segundo a Anac, o pedido será levado agora para as autoridades americanas, que decidirão com a MTA em Miami sobre o assunto.

 

Na semana passada, o Estado revelou que a MTA perdeu na Justiça o contrato de R$ 44,9 milhões que havia ganho com uma liminar. Na verdade, ela venceu a licitação em julho, mas não entregou documentos no tempo exigido. Foi desclassificada e recorreu à Justiça, onde garantiu uma liminar.

 

Enquanto o negócio estava sendo decidido pela disputa judicial, os Correios fizeram um contrato de emergência de R$ 19 milhões com a própria MTA, com vencimento em novembro. Agora, com a derrota na Justiça, a empresa perdeu esse contrato e deixou de ter o de R$ 44,9 milhões, que passou a ser operado pela Rio Linhas Aéreas. A linha licitada é uma das mais estratégicas para os Correios, porque representa 13% do valor total da malha e 14% da capacidade de carga contratada.

 

Desde maio, a empresa já vinha sendo multada por atrasos na operação das linhas. Até agosto, teve pelo menos R$ 1,1 milhão aplicado em multas. Nesse montante, ainda não estão contabilizadas as penalidades aplicadas em setembro e outubro, meses em que a situação ficou crítica - antes de executar as multas os Correios dão direito de defesa à empresa.

 

O nome da MTA apareceu pela primeira vez no cenário político em 29 de agosto, quando o Estado revelou que o então diretor de operações da estatal, coronel Eduardo Artur Rodrigues Silva, dirigiu nos últimos anos a empresa contratada pelo governo. O coronel pediu demissão em 20 de setembro, depois de o Estado revelar que ele é testa de ferro do argentino Alfonso Conrado Rey, um empresário que mora em Miami, verdadeiro dono da MTA.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.