Sob gritos de 3º mandato, Lula volta a dizer que fará sucessor

Ao lado de Dilma, presidente disse que deixará o governo e que, até lá, terá o nome para o seu lugar

Clarissa Oliveira, de O Estado de S. Paulo,

20 de maio de 2008 | 19h07

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a rebater críticas da oposição e avisou mais uma vez que vai eleger seu sucessor no Palácio do Planalto. Novamente sob gritos pedindo um terceiro mandato, o presidente disse que vai deixar o governo, mas garantiu que, até lá, terá um nome capaz de sucedê-lo no posto. "Eu já to vendo um monte de candidato aqui. Já tem até pesquisa. Eu ainda não tenho nem candidato nem candidata. Mas vou ter e vamos eleger nosso candidato para poder seguir a nossa política", disse Lula, que esteve em Santo André (SP), ao lado da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, cotada como sua provável candidata na eleição presidencial de 2010. A ministra também recebeu gritos da platéia, com o grito "olê, olê, olá, Dilma, Dilma".   Veja também: Lula impede segurança de barrar Timóteo em evento do PAC Cerimônia do PAC em SP tem vaias e preocupação apartidária Lula anuncia investimentos de R$ 4,32 bi do PAC em SP   Repetindo um discurso feito nas últimas semanas, Lula voltou a ironizar afirmações da oposição de que o sucesso de seu governo é resultado da sorte que teve desde que assumiu. "Aqueles que achavam que nós íamos levar o Brasil para o buraco, aqueles agora inventaram o seguinte: ah, o Brasil está dando certo porque o Lula tem sorte. Esse Lula tem uma sorte danada", disse o presidente. "Agora, eu pergunto aqui, quem é a mulher que casa com o homem que não tenha sorte? Quem é o homem que vai casar com uma mulher azarada? Olha, Deus queira que daqui para frente o Brasil só eleja um presidente com muita sorte. O cara que tem azar é o cara que perde as eleições."   Além da oposição, a imprensa também foi alvo das críticas. "Nem sempre a imprensa diz tudo o que está acontecendo no Brasil. Às vezes, se a gente quiser saber mais a gente lê a imprensa internacional, que fala bem", disse Lula. "Nunca vi como a imprensa espanhola, alemã, americana, inglesa gosta tanto do Brasil. A nossa demora mais para enxergar."   O presidente falou durante um ato de início das obras de habitação do Programa de Aceleração do Crescimento no ABC paulista. Durante o discurso, o presidente afirmou que o esforço para promover o desenvolvimento econômico tem por objetivo melhorar a qualidade de vida da população carente. "Estamos dando cidadania para as pessoas", afirmou. "As pessoas vendo a presença do Estado no seu bairro não vão precisar mais dizer que aquele bairro é violento, aquela favela é violenta, que ali só tem maconha, que ali tem isso ou aquilo."  

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