Sob críticas, Skaf adota moda antiga de propaganda eleitoral

Candidato ao governo de SP pelo PSB aproveita brecha dada pela Lei Cidade Limpa durante o período eleitoral

Ricardo Chapola, do estadão.com.br

04 de agosto de 2010 | 19h14

SÃO PAULO - Na era do Twitter e Youtube, o candidato ao governo de São Paulo pelo PSB, Paulo Skaf, resolveu apostar em uma tática à moda antiga de propaganda eleitoral. Em vez de enviar emails, postar no microblog e divulgar vídeos, o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) está espalhando cavaletes pelo Jardim Europa, na zona oeste da capital, e divulgando seu rosto e seu nome em bicicletas que circulam com a foto do candidato. Ele aproveitou a brecha dada pela Lei Cidade Limpa durante o período eleitoral, que permite a propaganda por meio de cavaletes, cartazes, bonecos e pinturas em muros, de 6 de julho até 30 dias após o pleito.

 

Cavaletes e bicicletas com foto do candidato foram espalhados nos Jardins, zona Oeste de SP.            Foto: Epitácio Pessoa

 

Desde a sanção da lei, determinada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), em janeiro de 2007, esta é a primeira vez que a cidade volta a receber publicidade nas ruas.

 

Acostumados com a "limpeza" visual provocada pela lei, moradores e trabalhadores da região onde foram instalados os cavaletes e por onde circulam as bicicletas agora manifestam incômodo com este tipo de propaganda. "Lógico que atrapalha. Existe a Lei Cidade Limpa, inclusive, que obrigou a retirada de painéis de terrenos. Por que, então, isso aqui pode?", questionou Francisco Aragão, um trabalhador da região.

 

Um casal de moradores do bairro mostrou desaprovação quanto aos cavaletes armados pelo Jardim Europa. Considerada uma região de calçadas mais limpas, sem apelos visuais abusivos, a publicidade de Paulo Skaf chegou a "destoar". "Tudo que for contra a lei não deveria ser permitido. Mas se estiver dentro da lei, ele tem todo o direito de usar. Mas é uma pena. A cidade e o bairro ficarão tão bonitos sem a poluição", lamentou a mulher do casal, Ana Geancarlo.

 

Quem deverá também se deparar com a publicidade adotada por Skaf é o candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva (PV), Guilherme Leal. O empresário reside nos arredores de onde se concentra grande parte dos cavaletes, que ainda estão sendo distribuídos no bairro.

 

'É preciso lançar mão de todas as alternativas'

 

Em nota enviada à redação, a assessoria de Paulo Skaf diz que, com limitação no horário político eleitoral, 'é preciso lançar mão de todas as alternativas que a legislação eleitoral permite' e afirma que o artigo 37 da Lei Eleitoral (Nº 9.504/97), em seu parágrafo 6º diz: "É permitida a colocação de cavaletes, bonecos, cartazes, mesas para distribuição de material de campanha e bandeiras ao longo das vias públicas, desde que móveis e que não dificultem o bom andamento do trânsito de pessoas e veículos)".

 

Além disso, diz a a assessoria, a campanha de Skaf usa não apenas métodos tradicionais de propaganda, mas também investe pesado nas mais avançadas tecnologias de Web 2.0, com presença da candidatura em comunidades como Facebook, Orkut, Twitter e outras.

 

A nota termina dizendo que "a campanha espera contar com a compreensão de todos para entender que o PSB nada mais faz do que exercer o direito outorgado pela Lei Eleitoral", e lembra também que a Lei Cidade Limpa permite a utilização desse tipo de publicidade durante o período eleitoral.

 

Atualizada às 20h42 para acréscimo de informações

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